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Luiz Carlos Merten

05 Agosto 2007 | 18h31

Teria valido a pena vir a israel só para conhecer, mesmo que por breves momentos, Lia van Leer. É a diretora da Cinemateca de Jerusalém, onde foi inaugurado hoje o 7º Festival do Cinema Brasileiro de Israel. Como O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias já havia sido exibido no festival que leva o nome da cidade, em julho, O Passageiro, de Flávio Tambellini, foi o filme que inaugurou o evento. Tenho aqui dois assuntos para tratar. Vamos por partes, como diria o esquartejador. Tenho grande estima por Tambellini, mas há uma artificialidade no cinema que ele pratica e que termina por me incomodar, em Bufo e Spalanzani mais, até, do que no Passageiro, que tem o subtítulo Segredos de Adulto. A idéia de um garoto sonhador que vive em choque com o pai banqueiro e que precisa perdê-lo – assassinado – para descobrir quem foi esse homem, comporta algumas observações interessantes, mas a estrutura narrativa, conduzida por uma vaga enquete policial, não me convence muito. Confesso, no entanto, que achei bonito o personagem que o próprio diretor se reservou. O professor universitário que não tem onde cair morto, mas é tão íntegro que abandona a universidade por não agüentar viver com um reitor reacionário. Antes disso, a filha lhe corta a palavra. Achei tudo isso muito simbólico da própria condição de um diretor do cinema brasileiro. Não deve ter sido por outro motivo que Tambellini quis fazer o papel, para o qual poderia ter chamado um ator. Tenho a impressão de que não havia escrito nada sobre O Passageiro, no blog, quando estreou. Fica, agora, aqui o registro, até como possibilidade para vocês se manifestarem.