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O Oscar, na rota para Tiradentes

Luiz Carlos Merten

25 Janeiro 2007 | 18h58

Saí às 8h30 de casa e só às 17h30 consegui chegar a Tiradentes, para o 10º festival, que realiza amanhã um debate para discutir novas formas de expressão no cinema brasileiro pós-retomada. A mesa será coordenada por Maria do Rosário Caetano e terá participação de Inácio Araújo, Luiz Zanin Oricchio, Filipe Araújo e minha. Fizemos uma viagem divertida de van, de Confins – o nome não nega: o novo aeroporto aumentou muito o caminho de BH a Tiradentes. Viemos Maria do Rosário, Zanin, Inácio e eu, mais Alessandro Giannini, que não parou de matraquear com o Rô sobre o Oscar. Foi ótimo. Fiquei sabendo de coisas que nem imaginava, coisas bem óbvias, como vocês vão ver. Não sabia que Clint Eastwood ganhou o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro por Cartas de Iwo Jima! Contei aqui que não agüentei esperar pela cerimônia, vencido que fui pelo tapete vermelho, com aquele desfile chatíssimo de celebridade. No dia seguinte, dei uma geral, tanto que nem comentei o prêmio de melhor atriz de comédia ou musical para Meryl Streep, que, realmente, está arrasadora em O Diabo Veste Prada. Só gostei do casal Brangelina. Brad, muito blasé, fingindo que não ligava para o prêmio, e Angelina Jolie emburrada, com a mesma cara com que eu me sentia diante da TV – o que estou fazendo aqui? Se estivesse no jornal, eu com certeza teria de acompanhar a festa e também saberia quantas indicações cada filme teve para os prêmios da Academia de Hollywood, no anúncio feito esta semana. Em férias, não tive muito tesão para pesquisar a lista e até fiquei surpreso quando ouvi uma chamada na TV chilena de que Dreamgirls tinha o maior número de indicações. Como – se na parte do anúncio a que assisti, o filme não teve nenhuma? Esta falta de interesse é pouco profissional, reconheço, e será corrigida na segunda-feira, quando volto ao jornal, mas está ligada ao desprezo que tenho por esses prêmios. O Globo de Ouro, então, achei ridículo. Quando ouvi da Rosário que Spielberg e Clint, como produtores, subiram ao palco para receber o prêmio da Associação de Cronistas Estrangeiros, pelamor de Deus – por mais que admire a um e outro acho que esses caras (os votantes) tinham de ser internados, doidinhos que são. Clint e Spielberg premiados pelo melhor filme estrangeiro? Como levar a sério? Notem bem – não restou negando Cartas de Iwo Jima. A questão é o conceito. Como indicar um filme produzido por Spielberg e dirighido por Clint para melhor produção em língua estrangeira? Claro, é falado em japonês, então é estrangeiro. Pô, assim não dá. Até a Academia de Hollywood foi mais sensata que os coleguinhas de Los Angeles. Quanto ao Oscar, ficou tão ao Deus dará que eu confesso que, de um ano para outro, me vejo perguntando sobre quem ganhou tal ou qual prêmio. É tanta mediocridade que termino esquecendo, acho que por rejeição. Desisti de vez do Oscar depois que O Informante, de Michael Mann, perdeu para Beleza Americana, do Sam Mendes. Acho legal que Clint tenha sido premiado por Menina de Ouro, mas Crash? Outros prêmios que também vieram depois, para Halle Berry e Reese Whiterspoon, somente confirmaram minha velha máxima – se o Oscar fosse honesto, esta gente não era nem indicada, quanto mais ganhar. Sorry, posso estar até perdendo leitores ao dizer isso, mas o que vou fazer? Se não for honesto comigo, como poderei esperar que me levem a sério? Halle e Reese ficam, para mim, na categoria ‘esforçadas’ e olhem que me divirto com Legalmente Loira e com a Halle que imita a sexy Ursula Andress na saída do mar, naquele James Bond (que, de resto, é bem ruinzinho). Enfim, as coisas estão mais promissoras este ano. Temos A Pequena Miss Sunshine entre os indicados para o melhor filme e um time respeitável de atores e atrizes indicados, embora Babel e Os Infiltrados, os que têm chance de ganhar, não me falem à razão nem ao coração. O importante é que estou em Tiradentes e daqui a pouco começo a maratona da noite, assistindo a três filmes em seqüência – Cine Tapuia, do Rosemberg Cariry; O Engenho de Zé Lins, de Vladimir Carvalho; e O Quadrado de Joana, de Tiago Mata Machado, que foi meu companheiro numa comissão de seleção da Petrobrás, há dois anos. O triste é que já vi que não terei sessão na praça. Tiradentes está debaixo d’água e a programação da noite já foi transferida para o Cine-Tenda, que tem seu charme, mas não é a mesma coisa. Assistir a cinema ao ar livre, debaixo das estrelas (quando elas aparecem), é uma experiência que a mim, pelo menos, sempre encanta.

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