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Luiz Carlos Merten

28 Setembro 2006 | 11h16

Fiz a mediação ontem do debate com a equipe de O Cheiro do Ralo, após a sessão popular do filme do Heitor Dhalia no Festival do Rio, e foi muito legal. Heitor sabe o filme que fez, sobre um escroto que usa as pessoas porque não tem a mínima capacidade de se envolver, emocionalmente, com quem quer que seja. Ele próprio estava impressionado – as pessoas são muito mais cruéis do que a gente pensa. O público riu o tempo todo, até em cenas em que o diretor achava que elas não deviam rir, porque são muito duras. O debate foi rico. A tenda montada na Cinelândia estava lotada, com gente de pé, sinal de que o filme já pegou. Heitor fez o filme na garra, quase sem dinheiro. Todo mundo se assustava com o título, com aquele tremendo bumbum, que é a primeira imagem que aparece na tela, com a visão de uma humanidade doente, num mundo desumano. Tudo faz sentido e a entrega da equipe foi fundamental. Selton Mello foi uma peça muito importante. Para fazer um personagem daqueles, Heitor precisava de um ator com a força, o talento e o carisma do Selton para manter o público ligado e para impedir que o personagem virasse um monstro.E o Heitor foi corajoso. Todo mundo queria que ele trocasse o título, mas o diretor bateu pé. Do ralo à m…, Heitor realiza a trajetória completa, com cores como o ocre, o marrom, o verde, tudo ligado àquilo que a gente faz no banheiro. Um momento de comoção no debate. Lourenço Mutareli, autor do livro, confirmou que está parando com o desenho para se dedicar à literatura e à carreira de ator. O que se perde por um lado, perde-se por outro. Mutareli é uma figura, o nosso Crumb. Que nada! Vamos deixar de pensar com a cabeça de colonizado. O Crumb é que é o Mutareli deles. Ele quase matou o público de rir contando que queria improvisar e o Heitor o prendia ao texto. O Cheiro do Ralo vai ser distribuído pelo selo Filmes do Estação. Prepare-se!