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Cultura » O nome é… Chuka

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Luiz Carlos Merten

24 Dezembro 2007 | 20h52

Continuo em Porto Alegre (até amanhã de manhã). Para seguir com o verbo – o calor continua infernal. Fui hoje visitar minha irmã Marlene e meu cunhado, Mário Pacheco, cinéfilo de carteirinha, puxou um assunto de atores. Nem comentei da enquete no blog, mas o Mário, espontaneamente, me disse que Marlon Brando é o maior de todos os atores e até gozou com uma coisa que leu, acho que na ‘Isto É’, sobre Paul Newman como o maior intérprete do século 20. Acho que quem escreveu isto queria zoar com a gente (e olhem que gosto do Paul. Tem uma meia-dúzia de filmes dele que adoro e que não seriam a mesma coisa sem seu carisma.) Agora, discordo do que foi dito aqui – ‘Lawrence da Arábia’ é um filme de grandes cenas, não de grandes atuações? Nunquinha – é um filme de grandes atuações e a de Peter O’Toole é tão grande que foi considerada, numa enquete do ‘American Film Institute’, a maior de todos os tempos. Mesmo achando que vai nisso um certo exagero – a maior de todos os tempos? -, O´Toole é magnífico. Quero contar que fui hoje à tarde à Livraria Cultura de Porto, no Shopping Bourbon, onde fica o Unibanco Arteplex. Como sempre, não resisti e fui checar os DVDs. Eles têm uma parte de importados que é genial, mas não foram os importados que me atraíram. De cara vi os DVDs de ‘E o Sangue Semeou a Terra’ e ‘Pequeno Rincão de Deus’ – vou conferir se é mesmo um grande Mann -, mas o que não resisti foi na seção de westerns. Encontrei o ‘Chuka’, do Gordon Douglas, com Rod Taylor, Luciana Paluzzi e John Mills. Comprei na hora. Embora ‘Rio Conchos’ seja o maior western de Gordon Douglas – e um dos maiores dos anos 60 -, ‘Chuka’ sempre me pareceu maravilhoso. A história passa-se neste forte sitiado pelos índios. John Mills é o comandante e Rod Taylor, o batedor. Hollywood começou a humanizar os pele-vermelhas nos anos 50, em westerns de Delmer Daves e Sam Fuller. Nos 60, John Ford fez ‘Crepúsculo de Uma Raça’ (Cheyenne Autumn) e Gordon Douglas mostrou aquela índia de ‘Rio Conchos’, que era uma loucura. A lição de retidão que ela dava ao pistoleiro Lassiter (Richard Boone), cuja diversão é trucidar peles-vermelhas, faz parte das minhas grandes experiências no cinema (e uma das mais radicais defesas do outro). Tudo isso é verdade, mas o chefe índio de ‘Chuka’… O plano dele entrando a cavalo no forte (e trocando aquele olhar com Luciana Paluzzi) é coisa de gênio. Gordon Douglas não era fácil. Me horroriza até hoje que um diretor como ele nunca tenha recebido reconhecimento à altura do seu talento.