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Cultura » O nome é Bond, James Bond

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Luiz Carlos Merten

10 Novembro 2006 | 10h36

Conversei ontem pelo telefone com John Lowry, que fez o restauro dos filmes de James Bond para o superlançamento deste mês. A Fox, que assumiu o catálogo da Metro, vai relançar todos os filmes da série oficial em DVD. Os filmes foram todos restaurados, ou remasterizados, ou então comprensados (de compression), coisa que o Lowry me explicou como fundamental para o processo de digitalização, mas eu confesso que não entendo muito essas coisas técnicas. Antecipando o lançamento do novo James Bond, Cassino Royale, em dezembro, a integral em DVD, que chega às lojas dia 22, será um item (caro) para colecionadores ou para dar de presente de Natal. A Fox anuncia várias embalagens. Há uma supermaleta James Bond, Premium, personalizada, com todos os 20 filmes, que será colocada à venda pela ‘módica’ quantia de R$ 1.390,00. Serão lançados também quatro boxes com cinco filmes cada e, por último, os filmes terão lançamentos isolados (ou individuais), para quem quiser ir comprando aos poucos. Os DVDs são todos duplos, cheios de extras. Lowry é um cara incrível. Trabalhou durante dois anos meio na restauração da série James Bond e antes restarou outra série cult, a primeira trilogia de Guerra nas Estrelas, formada pelos filmes que, na cronologia geral, agora ocupam os números 4, 5 e 6. E ele ainda restarou Cidadão Kane, Intriga Internacional e Doutor Jivago. Que currículo, hein? Lowry acredita que a atividade de restaurador vai se tornar cada vez mais necessária, até por causa da solicitação do mercado de DVD, crescente em todo o mundo, e que precisa de filmes, mesmo os antigos, em condições de som e imagens capazes de atender à expectativa de uma massa de espectadores acostumados a um alto padrão de qualidade audiovisual. Contei pra ele que pertenço a uma geração que viu muito filme rebentado em cinemateca ou cinema-poeira. Era ver assim ou não ver. Isso acabou, ele acha. Lowry falou umas coisas muito interessantes sobre a Capela Sistina, no Vaticano, mas vou deixar para o texto no Estado. Ele também contou que, de todos os filmes de 007, o que mais gosta é O Satânico Doutor No, que viu na estréia, no Capitol Theatre, de Toronto, em 1963. Já contratado pela Metro para fazer o restauro, com o aval da produtora Barbara Broccoli, ele visitou o set de Cassino Royale na República Checa. Viu Daniel Craig filmando algumas cenas. Acha que ele pode ser um bom Bond, mas como Sean Connery não há. O próprio Daniel Craig me disse que também prefere James Bond. Afinal, foi quem formatou o personagem no nosso imaginário.