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Cultura » O nome é… Bond

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Luiz Carlos Merten

01 Abril 2008 | 09h03

E vamos a 007. Não vou poder falar muito, porque há um embargo até segunda-feira, dia 7, para narrar o que vi no set de ‘Quantum of Solace’, 22º filme da série oficial – que não inclui o ‘Cassino Royale’ dos anos 60 nem ‘Nunca Mais Outra Vez’, nos 80. Daniel Craig volta ao papel, depois de reinventar o personagem na nova versão de ‘Cassino Royale’, que foi – acreditem – o maior sucesso de toda a série. Nenhum outro filme deu tanto dinheiro, o que faz com que a Sony esteja invertindo mais de US$ 200 milhões em ‘Quantum’. A imprensa chilena andou publicando que o orçamento chega a US$ 280 milhões e é o filme mais caro já feito, o que os produtores Michael G. Wilson e Barbara Broccoli negam. Barbara se lembrava de mim – do junket de ‘Cassino Royale’ em Nova York -, Daniel foi muito simpático e eu adorei conversar com o diretor Marc Foster, com quem pude falar, tardiamente, sobre ‘O Caçador de Pipas’. O cara é muito bacana. A entrevista com Daniel não foi individual. Sentei-me do lado dele e pude ficar observando o cara. Como perguntei bastante, volta e meia ele se virava e me fitava com aqueles olhos azuis. Sem viadagem! Acho que muita gente que conheço, de todos os 24 sexos, me mataria para estar ali. Para arrematar, quero dizer que o mais bacana de tudo nesta visita a set foi o próprio set, em El Paranal. Sabia que era no deserto de Atacama, mas não tinha a maior idéia de onde (e, desculpem a ignorância, nem sabia que existia El Paranal). Se assistisse ao Discovery Channel saberia que ali está instalado o telescópio mais potente do mundo, na verdade quatro telescópios de maior alcance do que qualquer um na Europa e que combinados viram o maior do mundo (de longe!), permitindo investigar o universo com um alcance extraordinário. O interessante é que El Paranal, no alto de um monte de 2 mil e tantos metros, não está sendo usado pelo telescópio, propriamente dito, embora 007, neste filme, enfrente um vilão chamado Greene (interpretado por Mathieu Amalric), que tenta dominar o mundo controlando as fontes de água. Marc Foster viu a foto do anexo de El Paranal na internet e ficou tão impressionado que a transformou na casa do vilão. É uma coisa espetacular e o cenário ao redor, a extensão do deserto, com todos aqueles montes – e bem ao fundo o segundo vulcão mais alto do mundo, cujo nome eu vou ficar devendo -, é uma coisa de louco. Na volta a Antofagasta, o pessoal da Sony nos deu um presente. saímos quando anoitecia e, uma hora mais tarde, noite cerrada, paramos no deserto para olhar o céu. Ali, em cima, estava a Via Láctea, The Milky Way, com aquela poeira de milhões de estrelas. Aqui, por causa da poluição, a gente olha para o céu e vê quantas estrelas? Lá, numa regiões mais secas da Terra, a visibilidade é extraordinária, mesmo a olho nu, e a gente fica (eu fiquei) boquiaberto. Mas olhando aquela imensidão do universo, não me bateu um sentimento de solidão. Pelo contrário. Foi mais uma coisa de comunhão, de elevação, sei lá. Vivi meu momento místico. De volta a Antofagasta, tomei um pisco sauer, não um martini, em homenagem a Bond. Valeu!