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O nome é… Ben Foster

Luiz Carlos Merten

09 Fevereiro 2009 | 14h51

BERLIM – Já temos, ou melhor, tenho candidato ao prêmio de melhor ator. Duvido que apareça alguém melhor do que Ben Foster, pelo filme ‘The Messenger’, de Oren Moverman. Vou pedir socorro para vocês. Who the hell is Ben Foster? Assim que ele apareceu na tela, na primeira cena do filme, eu sabia que conhecia o cara, mas de onde? Foster forma dupla com Woody Harrelsoon. Os dois são militares destacados pelo Exército para anuncioar às famílias que seus entes queridos morreram na guerra. São mensageiros da desgraça, do infortúnio. Sally Potter criou aquele jogo de cena super-falso de ‘Rage’. Oren Moverman cria outro jogo de cena. A cada visita dos mensageiros, as reações das famílias são diversas. Há os que choram, que gritam, que cospem na cara de Ben Foster. E há os que internalizam a dor, como se estivessem atarentados, sem ter noção do que ocorre. Não sei quem é Oren Moverman, mas tenho a impressão de que ele fez o filme definitivo sobre a Guerra do Iraque. Ao mesmo tempo que vai filmando as reações, ele mostra o efeitos que elas têm sobre Foster e Harrelson. É um filme sobre relações. A namorada que faz sexo com Foster no começo dá um pé nele para se casar com outro. Ele aparece no meio da festa. Ela e o marido ficam com o coração na mão – e espectador, também – sobre o que vai ocorrer. Essa expectativa é recorrente. Foster se envolve com a viúva de um dos homens cuja morte foi anunciar. Ela é das que não reagem imediatamente ao anúncio da morte, mas numa cena posterior ‘explode’ dentro de um shopping, quando vê agentes do Exército recrutando garotos para morrer no Iraque, como o marido dela. Em outra cena, rola um clima e parece que Foster e Samantha Morton, a atriz que faz o papel, vão ter uma cena de sexo. A cena é longa, um coito interrompido. Não avança – muito bem filmada. Gostei demais de ‘The Messenger’. Ben Foster foi a surpresa da coletiva. Articuladíssimo, fez uma análise geracional da Guerra do Iraque, falando dos jovens, como ele, que foram e não voltaram, ou voltaram em ‘coffins’. Foster foi crítico e incisivo, como o próprio filme. “The Messenger’ já é um dos meus candidatos aqui em Berlim, com ‘Storm’ – tenho impressão que escrevi ‘Réquiem’ -, de Hans-Christian Schmid, e – um pouco menos – ‘About Elly’, do iraniano Asghar Fahady. O diretor alemão tem outro filme, já premiado na Berlinale, que se chama ‘Réquiem’ e o réquiem continua aqui. Só para constar – Kerry Fox, de ‘Intimidade’, de Patrice Chéreau, e Anamaria Marinca, de ‘Quatro Meses, Três Semanas, Dois Dias’, também já são candidatas a melhor atriz. ‘Storm’ é sobre a impossibilidade de se conseguir Justiça, na vida (ou na guerra). É o tema de ‘O Leitor’, de Stephen Daldry, que passa fora de concurso, e também de ‘The Messenger’. Adoro quando a seleção começa a formar sentido e os filmes começam a se articular entre si. Acho que é que faz uma boa seleção, em qualquer festival digno do nome.