Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » O nome é… Anthony Mann

Cultura

Luiz Carlos Merten

22 Dezembro 2007 | 16h49

Celdani comenta que viu o western ‘O Homem dos Olhos Frios’ (onde? quando?) e nem sabe quem é o diretor. Vamos lá – É Anthony Mann, um dos grandes do gênero, famoso principalmente por sua série com James Stewart ‘Winchester 73’, ‘E o Sangue Semeou a Terra’, ‘O Preço de Um Homem’ e ‘Um Certo Capitão Laramie, embora ele também tenha feito filmes de bangue-bange com outros grandes atores, verdadeiros mitos de Hollywood. No caso de ‘O Homem dos Olhos Frios’, cujo título ortiginal é ‘The Tin Star’, A Estrela de Lata – e a estrela em questão é a do xerife -, o ator era Henry Fonda. Em ‘O Tirano da Fronteira’ foi Victor Mature e o filme tem uma grua tã famosa – um movimento triangular de câmera que capta três ações – que os críticos de ‘Cahiers du Cinéma, Godard à frente, eram loucos pelo filme. Mann ainda dirigiu Gary Cooper em ‘O Homem do Oeste’, com Julie London, que Godard também amava (o filme, não sei se ela). Como estou em casa, dei uma parada e fui procurar o verbete de Anthony Mann no ‘Dicionáio de Cinema’ de Jean Tulard – fiquei com preguiça, confesso, mas na verdade deveria ter procurado era o verbete, muito mais alentado, páginas e páginas, que Bertrand Tavernier e Jean-Pierre Coursodon dedicam ao grande diretor em seu livro-bíblia ’50 Anos de Cinema Americano’. Mas gostei de ter ido ao Tulard. Ele descreve a abertura de ‘O Homem dos Olhos Frios’. Fonda, impassível, atravessa uma cidadezinha sob o olhar aterrado dos habitantes. A câmera enquadra o segundo cavalo que ele puxa pelas rédeas. Sobre o cavalo, está o saco que contém um cadáver e que será colocado pelo matador implacável, o homem dos olhos frios, diante do xerife. Tudo isso é dito em alguns planos – o cenário, os personagens, o tema. Acho muito bonita a forma como Tulard termina seu texto – Mann é o cineasta clássico por excelência. Ele (o diretor) possuía simplicidade e clareza, mas se houve um diretor de westerns que leu Freud foi Mann. Nao por acaso ele fez ‘The Furies’, que no Brasil se chamou ‘Almas em Fúria’. O título parece um resumo de sua preferência em termos de personagens, mas Mann, que foi casado com Sarita Montiel, fez – imagino que em homenagem a ela, e à Espanha – um clássico sobre um homem que domina seus demônios. Para mim, ‘El Cid, com Charlton Heston, é o mais belo épico do cinema. Mann e seu roteirista – Philip Yordan – basearam-se em Corneille (‘Le Cid’). O filme tem cenas qe se contam entre as mais perfeitas já filmadas. E o desfecho, a música de Miklos Rosza sobre a tomada de baixo para cima – um contraplongé – que pega o Cid morto, amarrado ao cavalo para liderar a última ofensiva contra os mouros… Deus, que aquilo é lindo! Faz parte das minhas emoções inesquecíveis