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Luiz Carlos Merten

12 Novembro 2011 | 15h50

Enquanto eu entrevistava Miss Piggy e Kermit (Caco), minha amiga Elaine Guerini, sortuda, falava com Clint Eastwood. O xerife foi capa do ‘Caderno 2’ de ontem. Espero não decepcionar ninguém – nem a mim -, mas o trailer de ‘J. Edgar’ não me deixou nos cascos,  como, por exemplo, o de ‘The War Horse’, de Steven Spielberg, que é o filme que mais quero ver, atualmente.  Que que é aquilo? A propósito de Spielberg, alguém me perguntou sobre a trilogia do 11 de setembro do Steven. A trilogia inforemal é um conceito meu, mas nada me tira da cabeça que Spielberg, fazendo ‘O Terminal’, tenha se dado conta de que falava dos EUA após a data. Para expressar op clima de paranoia em que George W. Bush mergulhou a ‘América’, ele somou a ‘O Terminal’ sua adaptação de H.G. Wells, ‘Guerra dos Mundos’. E, tendo refletido sobre a paranoia e seu resultado – a xenofobia -, ele acrescentou mais um capítulo. Sem nenhuma referência direta ao 11 de setembro, até porque os acontecimentos datavam da Olimpíada de 1972, ele falou em ‘Munique’ do grande risco do combate ao terror. Caçando implacvavelmente o outro, o agente Eric Bana corre o risco de perder sua alma. Que puta trio de filmes! Volto a Clint. Há grande expectativa em relação à estreia de ‘J. Edgar’. O filme vai para o Oscar, com certeza. No fim de semana, Clint e o astro Leonardo DiCaprio foram capa dos cadernos de cultura e lazer do ‘Los Angerles Times’ e do ‘The New York Times’. Clint botou a boca no treombone, dizendo que nunca foi tão difícil produzir um drama em Hollywood. Ele chegou a ouvir de um estúdio que não produz mais dramas – só comédias e fantasias científicas. Mas a verdade tasmbém pode ser outra. Por mais prestígio que tenha Clint – dois Oscars de melhor  filme e direção, uma carreira impressionante como ator e diretor -, a verdade é que ele anda em maus lençois. ‘Invictus’ e ‘Além da Vida’ não foram nada bem no mercado interno. O desempenho internacional foi bem melhor. Se ‘J. Edgar’ não for bem, Clint estará somando o terceiro fracasso consecutivo e isso pode dificultar a evolução da carreira do ‘velhinho’. Ele sabe disso e não deve ser mera coincidência que esteja voltando a um tema 100% norte-americano – a cinebiografia do lendário diretor do FBI – e com um asstro que tem se revelado um valor seguro nas bilheterias (a ponto de haver ressuscitado Martin Scorsese). A pergunta que não quer calar – J. Edgar Hoover era gay? Filho único de mãe dominadora (Judi Dench), ele manteve distância a vida inteira das mulheres e tinha aquele amigo íntimo que o assessorava.  Clint foi se consultar com um amigo gay de carteirinha e o resultado você vai ver – um beijo (de Leo e do amigo) de língua e tudo o mais. A imprensa dos EUA diz que DiCaprio é corajoso. Sem dúvida, mas, quanto ao beijo, antes de virar herói romântico em ‘Titanic’, ele foi Rimbaud para Agnieszka Hollasnd e deu aquele ‘créu’ em Verlaine (David Thewlis) em ‘Total Eclipse’, de 1995. Como é que  o filme se chamava no Brasil? ‘Eclipse de Uma Paixão’, é isso?

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