Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » O neo-realismo tardio de Germi

Cultura

Luiz Carlos Merten

17 Janeiro 2008 | 23h21

Recebi hoje uma caixa de novos DVDs da Versátil. Preparem-se – a empresa número um do mercado de DVD de arte, com todo respeito pela Lume, que vem abrindo seu espaço, está lançando três preciosidades. Já falei aqui outro dia, na verdade há agum tempo, do Pietro Germi e disse que morria de vontade de ver alguns filmes dele. A Versátil está colocando no mercado ‘O Ferroviário’, que ele dirigiu e interpretou em 1956 e que pode ser definido como um exemplar tardio de neo-realismo, numa época em que o movimento não dava mais aas cartas no cinema italiano. Tenho a impressão que Germi andou sempre nas bordas do cinema italiano. Era muito romântico para ser um neo-realista puro’ e, quando aderiu à comédia, foi sempre considerado inferior a Risi, Monicelli e Scola. Gostaria muito que a Versátil lançasse, na seqüência, as grandes comédias de Germi – ‘Divórcio à Italiana’, ‘Seduzida e Abandonada’ e ‘Como Viver com Três Mulheres’. Germi deu à jovem Steffania Sandrelli seus melhores papéis, e só isso já conta pontos a seu favor, mas Mastroianni, tentando atirar a mulher nos braços de um amante, quem quer que seja, para poder matá-la invocando o codigo de honra siciliano, é coisa de louco em ‘Divorzio all’Italiana’. Por melhor que seja ‘O Ferroviário’ – preciso conferir -, o pacote da Versátil tem coisas ainda melhores. No próximo post.