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Cultura » O negócio chamado cinema

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Luiz Carlos Merten

03 Outubro 2006 | 15h33

O Festival do Rio tem duas meninas poderosas – Ilda Santiago, que responde pela área artística, e Walkiria Barbosa, mais ligada na área econômica do cinema. Vilma Lustosa é mais low profile e aparece menos que as duas. Fui encontrar a Walkiria para conversar sobre os seminários que ela coordena e cheguei no meio de um debate sobre direitos autorais. Discutia-se, naquela mesa, exatamente a música no cinema. Walkiria estava na platéia. Virou uma arara. Desceu o cacete nas entidades que arrecadam direitos – seus representantes estavam na mesa -, pois disse que, como produtora, na Total Entertainment, paga direitos de utilização da música e da sua difusão em qualquer suporte em que o filme venha a ser exibido (cinema, TV, home video). Isso não impede que os exibidores também sejam cobrados pelas entidades. Como, se ela já está pagando pelo direito de incluir a música na trilha? Por que cobrar do exibidor? Pela sala? A questão de direitos é complicada. Houve um seminário quentíssimo para debater a pirataria. De novo, Walkiria é radicalmente contra. Não entende como diretores possam relevar a pirataria, dizendo que pobre não vai a cinema de shopping, que o ingresso é caro e o vídeo ou DVD pirata é baratinho e supre uma demanda. A experiência de Walkiria com Se Eu Fosse Você lhe diz que o as classes C,D e E vão a cinemas de shopping, sim – foram, massivamente, impulsionando o filme de Daniel Filho a ultrapassar a marca de 3,7 milhões de espectadores. Ela acrescenta que quem faz download é internauta de carteirinha. Ou seja, quem tem tempo e dinheiro de navegar na internet. Não é pobre, coisa nenhuma. Walkiria defende a educação, como solução. Ela diz que pobre nem sabe que pirataria é crime. Se soubesse, não comprava nem via DVD pirata. Pobre quer mais é andar na linha. Walkiria não tem papas na língua. Este ano, entre debatedores e ouvintes, os seminários tiveram mais de mil integrantes cadastrados. Discutiram tudo, desde a criação de um fundo internacional de investimento no cinema brasileiro e latino, até legislação e novas tecnologias – qual o impacto que elas estão tendo, e terão, no futuro do cinema? Cinema é cultura, mas também é negócio, investimento.

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