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Luiz Carlos Merten

29 Outubro 2010 | 15h43

Foi ontem, às 10 da noite, a primeira sessão de ‘Tio Boonmee’ na Mostra. Estava entranhado no Coutinho, e de qualquer maneira não teria ido (re)ver. O filme de Apichatpong Weerasethakul terá novas sessões hoje (às 23h10) no Arteplex e amanhã (às 17h50), também no Arteplex. Gostei do filme quando vi em Cannes e achei legal que o júri presidido por Tim Burton lhe tenha atribuído a Palma de Ouro. Adoro aquele mistério do conto da princesa que faz sexo com o peixe e é por ele possuída. ‘A Palma de sonho’, de rêve, como a definiu ‘Cahiers du Cinéma’ é importante. Cinema de autor, coisa e tal. Mas estou me convencendo, só de ver/escrever sobre os filmes, que a escolha, por mais defensável, em princípio, que seja, talvez tenha sido equivocada. ‘Tio Boonmee’, ‘Homens e Deuses’ e ‘Turnê’, eu hein, só gostei do primeiro. Ontem, ao encontrar Amir Labaki na sessão do Coutinho, comentei com ele como aquele documentário premiado no É Tudo Verdade, ‘O Silêncio do Claustro’, dá de dez no filme de Xavier Beauvois.  De ‘Turnê’ nem falo, embora dê a maior força para Jean-Thomas Bernardini, da distribuidora Imovision, que busca apoio para trazer à cidade a trupe inteira, as mulheres ‘fellinianas’, de Mathieu Amalric. A verdade é que havia uma outra vertente do cinema de autor, em Cannes, e é para ela que me inclino cada vez mais. ‘Poetry’, de Lee Chang-dong – que integra a mostra de cinema da Coreia, ‘Cinema Explosivo’, que começa na semana que vem no Centro Cultural São Paulo –, Sergei Loznitsa, claro (o poderoso ‘Minha Felicidade’) e um filme que só passa terça e quarta, ou quarta e quinta, ‘Um Homem Que Grita’, do cineasta do Chade Mahmat Saleh Haroun, uma espécie de ‘A Última Gargalhada’ (o clássico de Murnau) africano. Preparem-se porque o filme de Haroun é porreta. Maravilhoso!