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Cultura » O ministro Gil, pernóstico mas valoroso

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Luiz Carlos Merten

11 Novembro 2006 | 13h23

Lá vou eu falar de política. A gente tira tanto sarro do ministro Gilberto Gil, por conta da linguagem empolada dele – eta homenzinho pra fazer questão de falar complicado; se a coisa pode ficar difícil, mais que isso, pernóstica, por que ser fácil e objetivo? –, que até descuida da avaliação da presença dele no MinC. Gil está agora no dilema de sair ou ficar. Pesam prós e contras. Na reportagem de hoje do Estado, Jotabê Medeiros diz que a empresa do artista Gilberto Gil está perdendo dinheiro, que a família quer que ele deixe Brasília e volte para o Rio, fatores, digamos, empresariais e familiares. Tudo isso diz respeito ao cidadão Gil. São de foro íntimo e, com certeza, devem pesar na decisão. Mas, no que diz respeito ao ministro, Gil tem feito um trabalho importante, que corre o risco de se perder e aí a coisa é diferente. O que se comenta, extraoficialmente, é que se ele sair pode assumir o Ministério a Roseana Sarney, como parte de uma barganha política com o pai dela, o ex-presidente José Sarney, que apoiou Lula para presidente. Gil armou uma base que, por mais defeitos que tenha, está contribuindo para a consolidação do cinema brasileiro e isso é tudo o que muita gente não quer. Vejam, você sabem de quem estou falando. Gil tem feito campanha para que o MinC disponha de pelo menos 1% do Orçamento da União para tocar projetos que ultrapassam a área do cinema e atingem vários segmentos da expressão cultural. Ele tem respaldo dos artistas e intelectuais brasileiros (os que contam e que o respeitam, mesmo quando criticam) e internacionalmente é um auê quando o grande Gil é apresentado como ministro da Cultura do Brasil. Já vi o frisson que sua simples presença provoca em festivais como Cannes. Mas, enfim, é o trabalho que conta, não o glamour. Gil diz que a base fica, se ele for embora. É melhor não arriscar.