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O medo é só um começo

Luiz Carlos Merten

13 Outubro 2012 | 16h53

Cá estou eu de novo, em casa.; Ontem pela manhã, ainda no Rio, fiz na sucuirsal o material da edição do ‘Casderno 2’ de hoje. À tarde, já em São Paulo, tive de ir à redação para fazer as matéreias de dopmingop, incluindo a entrevista quje fiz com Fernanda Montenegro em Porto Alegre, no set de ‘Dona Picucha’, título provisório do especial de Natal que Jorge Furtado e Ana Luiza Azevedo acabam de fazer com ela. A Globo não queria liberar, havia embargo, mas terminei por convencê-los de que Fernanda falou de ‘Guerra dos Sexos’, de ‘Avenida Brasil’ e que este material iria se perder, se tivesse de esperar até dezembro. Chega que a Warner não libera a entrevista que fiz com Clint Eastwood em Los Angeles e ele falou muito de Romney, de Obama, de eleição e, quando liberarem, todo esse material estará desafasado e terá de ir para o lixo. Alô-ô? À noite, ontem, fui ao teatro, ver a ‘Oresteia’, primeira parte, no Club Noir. A vida vai voltando ao normal, mas por quanto tempo, se a Mostra começa na semana que vem? Na correria dos últimos dias do Festival do Rio, incluindo o bate/volta para Porto, terminei perdendo o que seria interessante – a matéria sobre o festival carioca em São Paulo, no CineSesc. Interessava-me, particularmente, falar da retrospectiva de John Carpenter. Continua rolando ou acabou ontem? Tenho, sempre tive, uma relação ambivalente com Carpenter. Não gosto muito dos filmes de terror pelos quais ele se tornou conhecido – e cultuado. O ‘meu’ Carpenter é o atípico – ‘Starman’, ‘Aventureiros do Bairro Proibido’, que não me canso de rever na TV e, no registro mais sombrio, ‘Assalto à 13.ª DP’, ‘O Enigma do Outro Mundo’ e ‘Eles Vivem’, que me parewce sua obra-prima. Não sei se esteve/está  à venda no CineSesc o volume editado pelo Festival do Rio – ‘John Carpenter, O Medo É só o Começo’ é uma coletânea de textos organizada por Mario Abbade e Leonardo Luiz Ferreira, com textos deles e uma entrevista feita por Rodrigo Fonseca e Mário Abbade.Como título do post preferio trocar o ‘o’ por ‘um’. No voo de volta para Congonhas, abri mão da Agatha Christie que havia comprado no aeroporto para ler, literalmente devorar, a fortuna crítica da rapaziada. Os colegas, digamos, ‘sérios’ – e não é que o trio citado não seja – fica arrotando erudição sobre Alexander Sokurov e o seu ‘Fausto’ e eu confesso que até li algumas coisas, para ver se aprendia sobre um filme que, afinal, achei supervalorizado. Só li frases feitas, mas nenhuma sacada que me mostrasse porque o filme era importante de fato. A mais importante, e essa não li – fiquei só com título e olho -, poderia ser a  capa de ‘Cahiers dui Cinéma’, que sacou que Sokurov filtra seu Goethe pelo Thomas Mann de ‘A Montanha Mágica’, o que me serve porque reforça minha tese do reacionarismo do autor russo. Nada óbvias, pelo contrário, as análises sobre Carpenter apontam para a coerência do autor na aparente diversidade de seu cinema baseado em gêneros e ainda ressalta a riqueza da releitura que ele faz dos clássicos de Howard Hawks que são seus xodós. Não conhecia a lista de preferidos de Carpenter, que enumera filmes que sofreram e sofrem preconceito, como ‘Os Boinas Verdes’, ”The Saga of the Viking Women and Their Voyage to the Waters of of the Great Serpent’, ‘Feitiço Haviano’, ‘Estação Polar Zebra’, ‘De Volta ao Vale das Bonecas’, ‘A Invasão dos EUA’ etc e achei interessantre o que Carpenter diz.  Que sempre gostou de filmes considerados ruins. Há muitos filmes trash, acrescenta ele, de que gosta mais do que dos clássicos. Entendo perfeitamente, e mais ainda quando ele conta que um filme farol em sua vida foi ‘Psicose’, de Alfred Hitchcock. Aliás, sobre o mestre do suspense, adorei o que me disse Phiulip Kaufman, no Rio. Comentando o fato de que ‘Um Corpo Que Cai’ foi eleito numa pesquisa recenter o melhor filme de todos os tempos, ele observou – como assim, se não é nem o melhor filme de Hitchcock? Para Kaufman, é ‘Notorious’, Interlúdio, que se passa supostamente no Rio e foi com Cary Grant e Ingrid Bergman que ele aprendeu a amar a cidade maravilhosa, que visitava pela primeira vez. Para mim é justasmente ‘Psicose’ e, como também amo ‘Onde Começa o Inferno’, Rio Bravo, de Hawks, isso me aproxima bastanhte de Carpenter. Estou digitando o post e lanço um olho à TV paga, que exibe ‘Coração Valente’ Não sei de vocês, mas gosto do épico de Mel Gibson. Misturo tudo, mas o mote do post é Carpenter. A retrospectiva continua? O livro está à venda? Valem, no plural, a pena.