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Luiz Carlos Merten

14 Novembro 2007 | 15h47

Fui informado de que os blogs do Estado tiveram problemas no dia de ontem porque estavam sendo acessados demais, o que me leva a fazer uma piada – quer dizer que temos, no geral, de ter poucos leitores, é isso, para não sobrecarregar o sistema? Brincadeirinhas à parte, se o sistema estivesse funcionando e eu ficasse postando, como gosto de fazer, meu dia teria sido muito mais complicado. Além do trânsito horrível, tive de fazer ontem um monte de entrevistas e algumas ainda ficaram para hoje de manhã, enquanto redigia os textos sobre os vários filmes (quatro) brasileiros que estréia amanhã. Os melhores são ‘Mutum’ e ‘A Casa de Alice’, claro, mas não desgostei totalmente de ‘O Magnata’. Conversei hoje de manhã com o diretor Johnny Araújo e o ator Paulinho Vilhena e posso até reproduzir parte do meu papo com eles. Gosto bastante da prosódia do filme, aquele linguajar de manos que o Paulinho sustenta muito bem. Johnny fez ‘O Magnata’ para a galera jovem. Foi diretor contratado, mas achei interessante uma coisa que ele me disse e não consegui colocar no texto do Caderno 2. Chorão, autor do roteiro – e co-produtor do filme, com a Gullane – tomou um susto quando viu ‘O Magnata’ pela primeira vez porque o Johnny, sem alterar o roteiro, mudou o tom e fez o filme bem menos humorado que ele gostaria. O humor está na tela, mas o tom é muito mais pesado e sombrio. Essa coisa de carregar no visuial buscando o público jovem é uma aposta e tanto. Não sei, nem o Johnny, nem ninguém, se vai dar certo. O público jovem que ele quer atingir tem preconceito contra o cinema brasileiro e prefere Hollywood. Os que vêem filmes nacionais, como vocês, já estão se manifestando que o filme é um imenso videoclipe etc. Confesso que não me convenci com o final e também não gosto da consciência, representada pelo Marcelo Nova. Johnny me disse que levou o Lourenço Mutarelli para ver o filme e ele achou aquela consciência “um p… cara chato”. Comentei com o Paulinho Vilhena hoje de manhã e ele me disse uma coisa interessante – que a consciência é, por sua natureza, chata, na medida em que está sempre cobrando coisas da gente. Não achei ‘O Magnata’ um filmaço, mas ruim, também não. Johnny Araújo saiu deste filme para outro de tom completamente diferente – ‘Alice’, a minissérie de Karin Aïnouz e Sérgio Machado para a HBO – que é ‘feminina’ (‘O Magnata’ é masculino) e mais adulta. Acho que o que esse cara precisa é se jogar num projeto autoral, Com erros e acertos, como diretor contratado, ele já mostrou que dá conta do recado e tem ambição.