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Luiz Carlos Merten

27 Maio 2012 | 20h42

CANNES – Depois dos posts durante a cerimônia de premiação, tive de fazer as matérias da edição de amasnhã do ‘Caderno 2’. Gravei um boletim para a portal do ‘Estado’, fui jantar – com o Ernesto, do Recife, que me lembrou que já havíamosa jantado após a premiação de 2011 – e agora aqui estou eu, no hoterl, acrescentando o que deve ser meu último post de Cannes neste ano. Amanhã, vou para Paris e, na terça, para Londres, para assistir a ‘Prometheus’ – e entrevistar Ridley Scott, Michael Fassbender, Charlize Theron… Achava mais ou menos inevitável que Michael Haneke ganhasse a Palma, embora o prêmio de ‘Amor’ não fosse tão esperado quanto o de ‘A Árvore da Vida’ no ano passado, outro filme de que não gosto, ou melhor, gosto até masis do de Haneke, pela cena da caçada ao pombo, que acho magnífica (vocês vão ver, quando o filme passsar aí). Mas respeitei muito a premiação, em, bloco, do júri de Nanni Moretti, em especial os prêmios pasra Matteo Garrone e Christian Mungiu, o único a emplacar duas premiações. Tudo bem que o regulamento impedia de dar outros prêmios aos vencedores da Palma, do grande prêmio e do prêmio de direção. Se Moretti e seus jurados tivessem premiado a direção de Mungiu, e não o roteiro de ‘Beyond the Hills’, não poderiam ter premiado as atrizes – excepcionais – do filme romeno. Mesmo não tendo sido uma premiação que me satisfizesse – Walter Salles, Jacques Audiard e Sergei Loznitsa ficaram de fora -, ahei consistentre e só o fato de o júri ter resistido aos bando de imbecis, incluindo a turma de ‘Cahiers’, que queria a Palma para Leos Carax, já me faz tirar o chapéu para Moretti. Na coletiva do júri, muito elucidativa, ele disse que não houve unanimidade para nenhum prêmio. Assumiu que o ideólogo da premiação foi Raoul Peck, o diretor haitiano, e o próprio Peck revelou porque fez campanha pelo desconcertante filme de Carlos Reygadas, ‘Pos Tenebras Lux’. Mesmo tendo achado que o filme mexicano tem imagens (e cenas) belíssimas, até agora não consegui penetar em seu mistério nem elaborar um discurso convincente para mim, mas Peck contou como o a luz de Reygadas ficou com ele (e a jurada alemã). As imagens, os temas foram tão convincentex (mais que o filme), na avaliação de Raoul Peck, que fiquei me sentindo burro, por não ter gostado tanto. Moretti confessou que, por ele, teria premiado Jean-Louis Trintignant e Emmanmuelle Riva, mas o regulamento não permitia. Foi a sorte das garotas de Christian Mungiu e do Mads Mikkelsen, que ganhou por ‘The Chase’, do Thomas Vinterberg, que a Califórnia vai distribuir no Brasil. Com todas as ressalvas que possa fazer, adorei que Moretti tenha premiado Matteo Garrone e só agora me lembrei que M. le président acompanhou os irmãos Taviani em Berlim, onde eles ganharam com ‘Cesare Deve Morire’. Moretti vai distribuir o filme dos Taviani na Itália. Fecha-se, aqui em Cannes, um ciclo. ‘Cesare’ é sobre detentos que montam, numa cadeia italiana, o ‘Júlio César’ de Shaskespeasre. ‘Reality’, sobre os reality shows e  o culto das celebridades que  fazem a cabeça dos italianos – e nisso, os brasileriros chegam junto -, também é interpretado por um  ator que está na cadeia, na Itália. Garrone diz que fez o filme por amor ao personagem e ao ator (Aniello Arena). A cena inicial,. uma longa tomada de helicóptero, a câmara acompanhando, de cima, uma carruagem que atravessa Nápóles, até chegar a um casamento, é de uma beleza de cortar o fôlego. Barroco puro, de deixar meu querido amigo Gabriel Villela com inveja (no bom sentido). Qual a cena mais bela do festival? A da carruagem? A caçada ao pombo de ‘Amor’? Aquela em que o garoto, ao comemorar o êxito do golpe, quebra a garrafa com o uísque raro de ‘The Angel’s Share’, de Ken Loach? A da abertura de ‘Pos Tenebras’, com a menina, filha do diretor, no meio do gado? O triângulo de ‘On the Road’, quando Dean, Garret Hedlund, chama Sol/Sam Riley para o sexo com Marylou/Kristen Stewart e os dois quase se beijam? É um privilégio estar aqui em Cannes e ver, em primeira mão, essas imagens. O festival mal terminou, ainda nem fui embora e já estou sonhando em voltar no ano que vem.