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Cultura » O júri da Palma de Ouro

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Luiz Carlos Merten

17 Maio 2007 | 12h04

CANNES – Ontem havia prometido postar alguma coisa sobre o júri do 60º festival e, na correria, terminei esquecendo. O júri é presidido por Stephen Frears. É integrado por um conjunto de belas e talentosas mulheres – Maggie Cheung, Maria de Medeiros, Toni Collette e Sarah Polley – e por dois pesos pesados da literatura e do cinema, o Prêmio Nobel Orhan Pamuk e o diretor italiano Marco Bellocchio. Maggie e outra chinesa, Gong Li, foram as mais elegantes na noite de inauguração. Maggie usava um longo de seda com sandálias douradas. Quem diz que aquelas botinhas de cano curto são o supra-sumo da moda devia se mirar no espelho da star de Wong Kar-wai. Ela deixou claro qie ama o diretor de Hong Kong, mas num júri não existe espaço para a amizade. Ela não está na Croisette com a função específica de premiar Wong Kar-wai. Stephen Frears é outro que garante que não vai levar a extremos seu parti-pris pelo cinema de autor. Quando era criança e começou a ver filmes, os diretores eram invisíveis. Não existiam para o público. É assim que ele quer ver os concorrentes deste ano. Pelos filmes, não os autores. Orhan Pamuk não se sente bem na pele de campeão da luta por direitos humanos. Prefere ser reconhecido como escritor. Isso não o impediu de, na quarta-feira, dia da posse de Nicolas Sarkozy, lamentar que o novo presidente da França seja tão contrário à integração da Turquia na Comunidade Européia. Sobre cinema, Pamuk disse duas coisas interessantes. Sua primeira lembrança do festival, e ele é um memorialista, como sabem seus leitores, é uma velha foto em preto-e-branco, mostrando starletes seminuas na praia. Pamuk lamentou estar chegando tarde a Cannes. A outra refere-se ao fato de nenhum de seus grandes livros ter sido adaptado para cinema. Pamuk lamentou não ter o desprendimento de Ernest Hemingway, que vendia os direitos, embolsava o dinheiro e deixava que os roteiristas e diretores de Hollywood fizessem o que quisessem de seus originais. Ele se preocupa com a qualidade. Tece mil empecilhos. A conseqüência é que você pode ler Pamuk, mas não ver filmes adaptados da sua literatura.