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O importante é… Romy

Luiz Carlos Merten

17 Abril 2012 | 19h37

Não me lembro quem, mas entrou outro dia um e-mail com comentário sobre um po0st antigo. Era uma leitora perguntando onde adquirir DVDs de filmes com Romy Schneider. Amiga, suas preces foram atendidas. A Lume lançou ‘O Importante É Amar’, de Andrzej Zulawski, no qual Romy tem um de seus melhores papeis. Já contei para vocês como me arrependi por não haver comprado, em Paris, um livro contando a história do mítico romance de Romy com Alain Delon. Tinha as fotos masis belas do mundo. Ela já era uma estrela, havia interpretado ‘Sissi’, quando Pierre-Gaspard Huit a chamou fazer ‘Christine’, em 1958, propondo como galã um francesinho que ainda não havia feito ‘Rocco’. O romance foi tórrido, a separação, traumática. Romy, que havia começado água com açúcar, com a série ‘Sissi’, encontrou, por meio de seu Alain, Luchino Visconti, que fez dela, no teatro, um heroína de John Ford, o dramaturgo (‘Pena Que Ela Seja Uma Puta’) e, no cinema, lhe deu aquele papel em ‘O Trabalho’, o episódio de ‘Boccaccio 70’. Nasceu outra Romy, que nos anos seguintes se consolidou como grande atriz de cinema, e isso com o generoso acréscimo da beleza e da sensualidade. Só que nem tudo foram rosas para ela. A morte trágica do filho, o suicídio do ex-marido, Romy soçobrou, psicologicamente. De todas as histórias sobre ela, gosto particularmente de uma. O grande Luchino telefonou-lhe, propondo um papel que ela conhecia bem. Uma Romy amargurada teria respondido ao telefone – ‘Uma puta?’ Era a princesa Elizabeth da Áustria, a Sissi, em ‘Ludwig, a Paixão de Um Rei’. Não mais a  Sissi adolescente, mas a princesa que sinaliza para o rei louco da Bavária que a aristocracia está se acabando e eles serão o sal da Terra. Romy é deslumbrante em ‘Ludwig’. É mais ainda em ‘O Importante É Amar’. Ela faz uma atriz pornô. Tem cenas muito fortes com Fabio Testi, um bonitão da época, hoje esquecido. Zulawski, ex-assistente de Andrzej Wajda, foi um típico autor dos anos 1970, numa época em que o cinema dinamitava os tabus do comportamento humano. ‘L’Important c’Est d’Aimer’ investiga a criação cinematográfica, questiona o sexo. Na sequência, Zulawski faria ‘Possessão’ com Isabelle Adjani, filme que marcou época no chamado ‘cinema da obsessão’. Isabelle faz sexo, tem orgasmos múltiplos com aquela estranha criatura, um monstro?, criado pelo mesmo Carlo Rambaldi que esculpiu o ET de Steven Spielberg. Romy, Zulawski, o importante é amar. DVD da Lume, imperdível.