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Cultura » O horror, o horror

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Luiz Carlos Merten

18 Fevereiro 2007 | 11h38

BERLIM – Almocei e agora estou indo para a sessao de El Telon de Azucar, esperando que o filme da filha de Patricio Guzman seja tao bom quanto me anunciaram alguns amigos mexicanos da Fipresci, a Federacao Internacional da Imprensa Cinematografica. Mas quero postar uma coisa antes – de moda! Pensei em contar outro dia, mas achei pretensioso. Fiz, na imaginacao, meu plano aqui em Berlim. Foi na entrada de Cate Blanchett no Palast, usando um preto deslumbrante, com cauda, que criava um efeito dramatico arrasador no tapete vermelho. Meu plano foi o seguinte – lembram-se do final de Elizabeth, quando a camera acompanha, na lateral, o movimento da rainha rumo aa sua sagracao (leia sagrassao)? Foi o que fiz. Fiquei caminhando na lateral, de longe, acompanhando o movimento de Cate, como se meu olho fosse uma camera (coisa que soh eh possivel aqui em Berlim, porque nevava e nao havia muita gente olhando a entrada dos astros e estrelas). Acho Cate Blanchett uma das mulheres mais belas do mundo. E nao eh soh a beleza exterior. Ela eh classuda. Quando rih, olhando nos olhos da gente, voceh se rende, em definitivo. Bobagem, mas achei que nao ia colocar este post. O que me fez mudar de ideia foi uma materia na edicao de ontem de Variety – Auf Wiedersehn Berlin, Farewall Berlin! A revista pediu a estilistas que escolhessem as mulheres mais bem vestidas da Berlinale. Cate, com aquele pretinho, que descobri ser de Givenchy, foi numero um, seguida de Jennifer Lopez num branco Galliano que tambem tinha tinha achado demais. O filme dela pode ser ruim (Bordertown, de Gregory Nava), mas JoLo, como eh chamada, eh uma coisa muito seria de ver. Em terceiro ficou a francesa Marion Cotillard, de La Mome, num Jean-Paul Gaultier. Peraih, gente. Nao estou entrando na seara da Lilian Pacce. Achei as mulheres o maximo, mas soh descobri quem usava o queh, e de quem, lendo em Variety. A revista tambem apontou as mais malvestidas. Essas, quando comecei a ler a materia eu jah sabia quem seriam. Como havia perdido a sessao de imprensa de Les Temoins, tive de assistir ao filme de Andre Techineh na sessao oficial. Estava lah dentro e vi, pelo telao, a entrada da equipe. Ainda bem que estava sentado, senao teria caido duro. Posso nao entender nada de moda, mas deu para perceber que Julie Depardieu venceria facil qualquer concurso para eleger a mulher mais brega do mundo. Lembram da Bjork horrorosa naquele modelito de cisne dela no Oscar? Era uma obra-prima. Julie vestiu uma coisa transparente, cheia de veus, parecia tule, e colocou uma botinha curta de couro marrom. Para arrematar, acho que era um casaco, tambem de couro, amarelo. Logo em seguida veio Emmanuelle Beart, que conseguiu o prodigio (nao eh pouca coisa) de estar ainda pior, com uma coisa que nao sei explicar, mas parecia uma pele de ovelha atada ao pescoco. Ainda bem que, no filme, Emmanuelle tira a roupa e aparece com aquele corpo que a gente conhece de A Bela Intrigante. A linha dos seios de Emmanuelle, indo ateh aquele bumbum redondo que ela tem, forma uma paisagem magnifica. Mas, gente, Paris era (nao sei se ainda eh) a capital da moda – como essas mulheres que estao representando a Franca num foro internacional podem se apresentar assim? Depois, fiquei pensando – e se elas estivessem querendo subverter a mundanidade do festival? Estariam malvestidas como um ato politico. Para, Merten. Nao delira. Elas eram bregas e isso eh tudo.