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Cultura » O horror, o horror

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Luiz Carlos Merten

01 Junho 2010 | 14h11

Tinha tantas materias para a edição de amanhã do ‘Caderno 2’ que tive de interromper os posts, sob pena de atrasar o fechamento da edição. Missão concluída, volto a Oliver Stone para informar que ele apareceu ontem no fim da sessão de seu filme, na FAAP. Conversou rapidamente e se mandou, indo comer, porque tinha que madrugar. Só pela exatidão, a informação está dada. Mas o que me interessa é assinalar outra coisa. Ficamos de conversa, enquanto esperávamos por ele, Leon Cakoff, Renata de Almeida, Rubens Ewald Filho e eu. Sabia do ataque de Israel à frota humanitária que tentava romper o cerco a palestinos da Faixa de Gaza, mas não sabia que uma brasileira, a cineasta  Iara Lee, ex-mulher de Cakoff – e figura importante no começo da história da Mostra -, estava a bordo de uma das embarcações. Iara Lee, que chegou a ser dada como desaparecida, está bem e o assunto nem foi tanto ela mas o próprio ataque, que foi condenado em todo o mundo. Em Cannes, assistimos –  Cakoff, Renata e eu – a ‘Carlos’, de Olivier Assayas, que já está na lista das prioridades da Mostra, em outubro. Não consegui, por absoluta falta de tempo, ver a íntegra das 5h30 do filme, mas ele é poderoso e daria uma abertura e tanto do evento (quem sabe um encerramento, como o do ‘Che’ de Soderbergh, que não é tão bom, permitam-me acrescentar). O que comentamos e vocês vão entender quando virem o Assayas é que, para entender o terrorismo, diz o autor francês, é preciso avaliá-lo à luz da geopolítica mundial. Acabou-se o terrorista capaz de um gesto isolado, capaz de detonar uma bomba sabe-se lá por quê. O filme de Assayas discute o terrorismo de Estado e o tema esteve em Cannes, por meio de ‘Carlos’ (e de outros filmes, também). Justamente é disso que se trata, no caso do ataque israelense à frota que transportava dez mil toneladas de ajuda aos palestinos de Gaza. Aguardem e depois digam se não tenho razão.