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O horror, o horror

Luiz Carlos Merten

06 Abril 2009 | 11h01

Nem me lembro mais quem me pediu que escrevesse alguma coisa sobre Jack Arnold. Vou fazê-lo com o maior prazer – daqui a pouco. Arnold se constitui num caso muito interessante de Hollywood nos anos 40 e 50. Antes, quero acrescentar dois posts rápidos. Havia lido o comentário de Miriam Chnaidermann, dublê de psicanalista e cineasta, no post sobre o filme que o marido, Reynaldo Pinheiro, e ela mostraram no É Tudo Verdade, ‘Sobreviventes’. Tenho me pegado pensando no filme e seus personagens, que ficaram comigo. Não me sai do pensamento a história da mulher que conta como foi ver um filme na casa da mãe, que morava perto, e deixou as filhas dormindo. Começou a chover, ela foi ficando, esperando a chuva passar, rompeu uma represa, houve um deslizamento, sei lá, e a casa foi soterrada com as crianças. Como sobreviver a tamanho horror? Ela sobreviveu, claro que com muita dor, e culpa, por não ter visto as filhas crescerem, por não ter estado lá, naquela hora, mas a sua é uma daquelas histórias limites que têm volta. Estou escrevendo isso e me lembrando de uma coisa que me impressionou muito nas recentes inundações em Santa Catarina. Um casal de velhos foi levado para um abrigo, pois a casa se sirtuava numa área de risco. Mas eles não se conformavam de ter deixado a cachorra. Foram em busca dela. Morreram soterrados. Tudo isso me impressiona muito, mas o post, afinal nde contas, não é sobre isso. É sobre algo que me atormenta desde ontem. Estava no jornal, fui almoçar naquele quilo da Praça da República, a caminho da Galeria Olido, onde queria ver um filme. Havia almoçado, barriguinha cheia, na expectativa de (re)ver um bom filme. E aí dei de chofre, numa esquina, com um monte de lixo e, no meio, um garoto dormindo. Foi uma coisa tão chocante que parei e fiquei ali, olhando. O menino dormia o sono dos anjos. Não era um sono agitado, pelo contrário, parecia tranquilo. Pertencço a uma geração que quieria mudar o mundo, meu filme preferido é ‘Rocco e Seus Irmãos’, com aquele desfecho – o discurso de Ciro, que fala do retoerno de Lucca, o último dos cinco irmãos, ao ‘paese’. Que mundo é esse, pelamor de Deus? Só espero que não me venham piadinhas nos comentários.