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Cultura » O horror, o horror

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Luiz Carlos Merten

15 Dezembro 2008 | 14h23

Estou querendo acrescentar o post sobre Sarita Montiel, mas antes tenho de relatar a experiência que vivi ontem à tarde. Jantei com a Lúcia (minha filha) e o Érico e ela quase morreu de rir quando lhe contei. Todo mundo tinha saído de casa ontem à tarde – até a cachorra, a Angel, estava passeando no Ibirapuera – e eu fiquei jogado, zapeando na TV paga. Assisti talvez ao pior filme da minha vida, mas tão trash – podre, como diz a Lúcia – que pode até ser divertido (eu não achei). Contava as cenas e a Lúcia ria às gargalhadas. O programa foi na HBO e o filme se chama ‘Black Sheep’, sobre ovelhas assassinas. Já havia iniciado, quando comecei a assistir, portanto não sei muito bem os detalhes, mas é a história de três irmãos que herdam uma fazenda de carneiros. Um deles se liga a uma cientista que faz pesquisas genéticas imagino que para aprimorar a raça e vender melhor os ovinos produzidos. Mas tem o tal efeito colateral, os carneiros e ovelhas viram carnívoros que comem os compradores vindos de todo o mundo. Para completar, os irmãos brigam entre si e a médica, antes de ser devorada por suas criações, aplica seu soro em dois dos irmãos, que vão virando carneiros monstruosos, a começar pelas mãos e pés, que viram cascos. Juro que nunca vi nada mais horrível, mas o mais irônico fica para o final. Como não existe antídoto para todo aquele rebanho, a solução é explodir metade dos carneiros. Os restantes saem do curral por um corredor polonês de madeira e vão recebendo a vacina que transforma muitos deles, instantaneamente, em pessoas atordoadas – todos vítimas da tal médica. Pensei comigo. Tenho entrevistado muita gente, no Brasil e no exterior, que me fala na HBO como respiradouro do cinema norte-americano e parceira de filmes autorais de que Hollywood não quer nem ouvir falar. Não sei se a HBO produziu ou só exibiu ‘Ovelha Negra’ – o título estava em inglês, no original, ‘Black Sheep’. Mas que não condiz com a pretensão da emissora, ah, não condiz mesmo. Os filmes de Ed Wood são obras-primas incompreendidas perto de ‘Black Sheep’.