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O horror, o horror

Luiz Carlos Merten

25 Fevereiro 2017 | 10h00

Confesso que sou aquele cara – esquisito? – que gostou, mas gostou muito, de Cinquenta Tons de Cinza. Seria capaz de ir ao inferno para defender a diretora Sam Taylor-Wood por seu trabalho autoral sobre o primeiro livro da série de E.L. James. Sam transformou o produto de consumo numa releitura hitchcockiana. James Dornan é, no masculino, a sua Marnie. E Sam, que provocou escândalo, na vida, ao deixar o marido acadêmico por um jovem que mal atingira a maioridade, tem olhar para a beleza e sabe filmar o sexo com uma frieza elegante porque, afinal, em cena, o que ela mostra naquele filme é uma patologia (ou não?). Querem se excitar? Comprem seus brinquedinhos… Não tinha muita expectativa por Cinquenta Tons Mais Escuros porque James Foley não é um diretor que me fale muito, apesar da filmografia com Sean Penn (Caminhos Violentos) e Madonna (Quem É Essa Garota?). Foley dirigiu até um Dave Mamet que, na época, 25 anos atrás, me pareceu bem interessante, O Sucesso a Qualquer Preço. Mas ele fez o filme que a indústria queria e Sam se recusou a fazer, palmas para ela. Uma sucessão vulgar de clipes de cenas de sexo, com uma trilha bagaceira que nem sei como classificar. A cada cinco minutos, lá vem eles. Palmadinha na bunda, lingerie (preta, claro) e diálogos do tipo ‘Você me seduziu com sua trepada sacana’ ou então ‘Quero você dentro’, as grandes frases de Dakota Johnson. Pior que tudo, o animal tirou o mistério de James Dornan e ainda criou vilões de carteirinha para fazer avançar a ‘trama’. A Mrs. Robinson de Kim Basinger e o chefe de Anastasia/Dakota Johnson na editora, que avança sobre a moça insinuando que vai fazê-la gozar de verdade. Jesus, eles vão voltar! Achei que Cinquenta Tons Mais Escuros poderia ser ruim. Enganei-me. É péssimo.