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Luiz Carlos Merten

01 Maio 2011 | 14h50

Mal tive tempo de acrescentar o post sobre ‘As Horas Nuas’. Estou na redação do ‘Estado’, tinha matérias para a edição de amanhã (que envolviam entrevistas), além dos filmes na TV. Mas não resisto a dizer que o fim de semana  está sendo bom para o cinéfilo inveterado que sou. Além do cult de Marco Vicario, com a deslumbrante mulher dele, Rossana Podestà, assisti na sexta à noite a ‘Minha Versão do Amor’. Não sou o maior fã de Paul Giamati, nem nos filmes dele de que mais gosto – ‘A Dama na Água’ e ‘O Ilusionista’ -, mas acho que Giamati está muito bem e a história do filme de Richard J. Lewis me tocou. Aquele detalhe final do Alzheimer me derrubou. Lembrei-me de meu amigo Tuio Becker, de minha amada Annie Girardot. Será preciso acrescentar que chorei? Rosamund Pike é maravilhosa e o envelhecimento dela é um dos mais bem feitos que já vi no cinema. Deveriam ter convidado o maquiador, ou maquiadora, de ‘A Minha Versão do Amor’ para ter envelhecido a Kate Winlet em ‘A Leitora’. O filme de Stephen Daldry teria ficado ainda melhor do que é. Agora, surpresa mesmo, até para mim, foi o ‘Thor’, de Kenneth Branagh. Não sou o maior entendido de HQs do planeta, mas até onde sei acho que o filme é bastante fiel ao espírito do herói da Marvel. Mesmo que não fosse, a história de amor me dilacerou o coração e eu torço para que surja um ‘Thor 2’ em que seja refeita a ponte com a Terra para que Chris Hemsworth possa reencontrar Natalie Portman. O cara me foi vendido como um Brad Pitt piorado – seria o sr. Angelina Jolie sem seus respeitáveis talentos de ator (só com  ‘physique du rôle’ e a própria, perdoem-me que não resisto ao trocadalho). Mas Thor é mesmo um personagem bidimensional no universo em 3-D criado por Branagh. Ele só precisa de duas expressões. O olhar grave, para expressar a dor, e o sorriso, que externa alegria. O cara funciona e não sei se foi influenciado pelo ‘Horas Nuas’, mas tive a  impressão de que o Branagh deve ter visto aqueles épicos mitológicos do cinema italiano por volta de 1960. Aqueles halterofilistas eram ruins de doer como atores, mas isso nunca impediu que Vittorio Cottafavi e Riccardo Freda fizessem belíssimos filmes com eles. Pensei muito naqueles filmes antigos, mais do que em Shakespeare, a propósito de ‘Thor’.

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