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Luiz Carlos Merten

02 Janeiro 2011 | 14h37

Ontem, repetiu-se o que havia ocorrido na noite anterior com ‘O Poderoso Chefão 2’. Estava vendo um filme na TV e tinha de sair, para não perder o início da sessão de ‘O Primeiro Que Disse’. O filme não é tão bom, ou tão nobre, mas adoro (re)ver. Não vi no cinema, mas revejo sempre na TV paga. ‘O Despertar de Uma Paixão’ baseia-se em ‘O Véu Pintado’, de William Somerset Maugham, e o filme foi produzido pelo ator Edward Norton. Em princípio, tão demodê, mas eu já disse aqui quanto gosto de Somerset Maugham, um autor tão popular entre guerras e que, hoje em dia, confesso que seria um dos raros a (re)ler. Me encantam suas histórias tradicionais sobre homens apaixonados por mulheres e que se punem ao descobrir que elas são frívolas e não estão à altura da expectativa que eles projetaram nelas, mas essas mulheres – a Naomi Watts de ‘O Despertar de Uma Paixão’ – descobrem tardiamente que a vida não é um véu pintado, mas algo muito mais visceral. O próprio marido tem um lampejo do que poderia ter sido a vida dos dois, se ele não tivesse punido a mulher frívola e adúltera, arrastando-a para esse lugarejo da China onde a população está morrendo de cólera. E o final é maduro.Naomi encontra, anos depois, o homem pelo qual trocou o marido. Ele não significa nada para ela. Nem me passa pela cabeça que ‘O Despertar de Uma Paixão’ seja um grande filme, mas me encanta ver o que o diretor John Curran me oferece, e basicamente é essa dupla incrível formada por Edward Norton e Naomi Watts. Ela é demais, essa mulher. Talentosa – e bela. Nunca vi ‘O Véu Pintado’ dos anos 1930, direção de Richard Boleslawski, com a divina Greta Garbo. Imagino que fosse genial (ela). Mas vi a versão de 1957, ‘O Sétimo Pecado’, The Seventh Sin, direção de Ronald Neame, com Eleanor Parker. Ela também era tão boa. Já estou até antecipando. Na próxima vez que estiver zapeando na TV paga e entrarem as imagens de ‘O Despertar’, não vou resistir.