Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » O Coral de Reygadas

Cultura

Luiz Carlos Merten

18 Dezembro 2007 | 13h39

Vou pegar carona no comentário do Wellington Liberato. Sinceramente, não sabia que ‘O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias’ havia ido tão bem no Festival de Havana – alô, alô, Cao Hamburger – e, menos ainda, que Carlos Reygadas recebeu o Gran Coral por seu extraordinário ‘Stellet Nächt’, que passou no Festival do Rio e deve ser lançado – espero! – no Brasil como ‘A Luz Silenciosa’. Engraçado é que quando fui a São Roque, para lançar o livro ‘Cinco Mais Cinco’ no Congresso Brasileiro de Cinema, encontrei meus amigos Carlos e Myrna Brandão, do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro, e entre outras coisas falamos bastante desse diretor mexicano a quem admiramos tanto. O Carlos até representou o Reygadas quando ele recebeu o prêmio da crítica, no Rio, por ‘Japón’. Até comentei com a Myrna da minha reticência em relação a ‘Batalha no Céu’, o único Reygadas de que não gosto tanto e ela me incentivou a rever o filme, que acha extraordinário. Essa definição eu aplico a ‘Luz Silenciosa’ e o diálogo que Reygadas estabelece com ‘A Palavra’ (Ordet), do Carl Theodor Dreyer, inclusive me fez repensar e, na lembrança, gostar mais do filme que assisti há mais de 30 anos na Cinemateca Argentina, que, como já disse, por uma questão de proximidade geográfica – era mais fácil ir a Buenos Aires do que vir a São Paulo -, terminou sendo, com a Cinemateca Uruguaia, mais importante na minha formação que a paulista. Na verdade, quando vim pela primeira vez a São Paulo – cheguei no dia 10 de dezembro de 1988, há 19 anos -, mal sabia eu que seria para ficar. Mas já estou viajando demais. Só queria deixar registrado meu entusiasmo pelo filme do Reygadas, que ganhou o prêmio da crítica no Festival do Rio, no começo de outubro.