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O cinema clandestino de Zurlini

Luiz Carlos Merten

10 Maio 2007 | 23h02

Encontrei a frase do Zurlini. Ela está na contracapa de um livro que leva o nome dele, editado na Itália pela Universale/Cinema 2, com apoio do Museo Nazionale del Cinema e de Cinecittà International. É uma compilação de textos em italiano e francês. A frase está impressa em ambas as línguas. Zurlini diz – ‘O cinema é uma arte, uma grande arte que conseguiu produzir obras-primas, quase sempre de maneira semi-clandestina, ou por azar, misturando as cartas no último momento e assim enganando, com justo cinismo, as intenções ou a falsa inteligência dos que nos exigem que transformemos os filmes em máquinas de fazer dinheiro.’ Isso não é só uma frase. É um manifesto, uma forma de encarar o cinema e de refletir sobre o próprio trabalho. Zurlini, além de pessimista, devia ser muito angustiado (se não não teria feito esses filmes maravilhosos porque são dilacerantes, ou dilacerantes de tão maravilhosos, sobre a dor e a solidão humanas). Zurlini morreu relativamente cedo, em 1982, há 25 anos. Tinha 56 anos, mas andava amargurado da vida, do cinema. Ele conseguiu fazer suas obras-primas clandestinas. mas tinha potencial para muito mais. É o que podemos supor, apenas…