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Luiz Carlos Merten

24 Março 2007 | 14h04

Não gosto de usar o blog para furar o Caderno 2 e muito menos para ficar reiterando coisas que já disse no jornal. Como conseqüência, não vou ficar falando do Cheiro do Ralo, que quem me acompanha sabe que gosto tanto, desde o Festival do Rio. Aliás, se em algum momento tive minhas dúvidas em relação ao filme que o Heitor Dhalia adaptou do romance de Lourenço Mutarelli – e que traz o Selton Mello em estado de graça, pré-candidato a todos os prêmios de melhor ator do ano -, elas se dissiparam ontem, por completo. Já disse aqui que vivo na contramão do Pedro Butcher, de quem gosto bastante, mas nossos gostos não batem. Só para provocar – O Cheiro do Ralo é tão bom que o Pedro Butcher não gostou (mas não li os motivos dele, só estou sabendo da reação). Enfim, demos ontem uma página inteira do Caderno 2, mais a capa, que era só foto e título, para O Cheiro. Estou acrescentando este post só para que vocês fiquem à vontade para se manifestar sobre o filme. E também para dizer que o Selton é leitor assíduo. Cada vez que o encontro, ele comenta coisas que só saíram aqui. Se o Selton também quiser se manifestar, ótimo. Só vou repetir uma coisa que saiu no jornal, porque achei ótima. Perguntei ao Selton se ele não teve medo de errar o tom, interpretando um personagem escroto como o do Ralo e ele respondeu que era essa, justamente, sua preocupação (e do diretor). Quando achavam que carregavam numa cena, tentavam baixar o tom na seguinte e assim foram se equilibrando até o fim. O resultado é o que o filme tem um humor e uma leveza que permitem que se agüente bem tudo o que a história tem de dark e o personagem, de doente. O que achei lindo, e vou repetir, para o caso de alguém não ter lido no Estado, foi que quando pedi ao Selton que definisse O Cheiro, ele me disse que era a história de um solitário canalha que se redime por amor a uma bunda. Vou colocar entre aspas, repetindo ipsis literis, o que me disse o Selton “O beijo que dou na bunda da Paulinha (Braun) no final é o beijo mais lindo que já dei no cinema.” Não é demais?