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Luiz Carlos Merten

06 Julho 2009 | 09h52

Compreendo perfeitamente a indignação do ‘ofendido’, no post sobre ‘Imitação da Vida’. Quando escrevi que a doméstica interpretada por Juanita Moore era a típica ‘negra de alma branca’, como se dizia, até pensei em explicar do que se tratava, mas depois achei que o post já estava explicativo por si mesmo. Bem, não estava. Pois é justamente a afro-americana, ou poderia ser afro-brasileira, afro-francesa, italiana, de qualquer lugar, sem consciência nem orgulho da própria origem. O filme tem uma cena ótima – Juanita não tem problema de ser servil, mas quando Lana Tuerner pede a sua filha, que se passa por branca, servir a mesa, Susan Kohner representa o papel de ‘Mummy’, a mucama de Scarlett O’Hara, falando errado e tudo. Quando digo no post que o funeral marca o fim de uma era, a era da negritude servil e que, em seguida, os EUA iam arder nos verões de fogo que levaram à afirmação dos direitos civis dos negros, é justamente disso que estou falando. De qualquer maneira, pelamor de Deus, a expressão estava sendo tratada criticamente, como uma fase já superada (espero). Mas é curioso como Douglas Sirk, 50 anos depois e um negro instalado na presidência dos EUA, ainda provoque polêmica. Quem foi mesmo que achou o filme ruim de doer? Não é o único. Embora exista um culto ao diretor, e a ‘Imitação da Vida’, nenhum dos dois é uma unanimidade.