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O céu de Hermilla

Luiz Carlos Merten

06 Outubro 2006 | 11h57

Ao contrário do prêmio de melhor ator, que tinha três ou quatro fortes concorrentes na Première Brasil, o de melhor atriz já estava ganho por Hermilla Guedes, a Suely do filme de Karin Aïnouz que foi o grande vencedor do Festival do Rio 2006. A Première Brasil de 2006 pode ter tido boas atrizes (a Maria Flor de Proibido Proibir foi um exemplo), mas só Hermilla teve um grande papel e carregou um filme nas costas. Como no caso do Selton Mello, em O Cheiro do Ralo, se ela não segurasse a onda em O Céu de Suely, o filme do Karin Aïnouz também iria para o ralo. Hermilla chegou eufórica, vestida de Santa de Roca, uma grife do Recife, porque, como boa pernambucana, ela achava que tinha de aproveitar a vitrine para divulgar sua terra. Perguntei para Hermilla como foi a experiência no Festival de Veneza. Foi maravilhosa, ela disse. E acrescentou – nunca havia viajado para o exterior. Foi logo para Veneza, a um dos maiores festivais do mundo, onde o filme do Karin foi muito bem recebido. Entre outras coisas, os italianos fizeram a ponte de O Céu de Suely com o neo-realismo e lembraram que o papel de Hermilla tem algo a ver com o de Sophia Loren em A Rifa, episódio do De Sica para Boccaccio 70. O Céu de Suely estréia ainda este ano nos cinemas. Passa antes na Mostra de São Paulo. É um filme de 80 e poucos minutos que tem tempo de cultivar o silêncio e aqueles momentos em que, aparentemente, nada se passa na tela. E tem a cena final, linda, que dura três minutos (ou mais), na qual os personagens somem de cena e o desfecho ocorre fora do quadro até a derradeira informação. O Céu de Suely é triste de doer. Pelo menos, eu achei triste. Hermilla é alegre. Tomara que o cinema brasileiro continue lhe oferecendo os papéis que o talento dela merece.