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O Casamento de Tuya

Luiz Carlos Merten

10 Fevereiro 2007 | 09h37

BERLIM – Vi agora de manhah um filme cino-mongol que me impressionou muito. A mim e a toda a plateia do Palast, formada por jornalistas de todo o mundo. Tuyas Ehe (O Casamento de Tuya) foi quase tao aplaudido quanto O Ano em Que Meus Pais Sairam de Ferias, que, a proposito, ganhou otimas criticas na Variety. O cinema tem contado, e o cinema brasileiro especialmente, historias de mulheres com dois, tres maridos. O filme do chines Wang Quanan conta a historia dessa pastora que vive numa regiao inospita com o marido invalido. Ela tem dois filhos, uma casa, um rebanho para cuidar. Todos lhe recomendam que se divorcie e arranje outro marido. Ele proprio lhe diz que faca isso. Sacramentado o divorcio, comeca uma romaria de pretendentes, mas ela impoe a condicao – o marido, o ex, tem de seguir vivendo junto. Paralelamente, existe a historia desse outro sujeito malcasado, cuja mulher soh pensa em conforto, bem-estar (e nos amantes). O espectador sabe que a dupla vai terminar por se unir, mas o happy end eh subvertido de maneira muito interessante (que nao vale a pena antecipar para nao tirar a graca quando o filme passar na Mostra; ele tem a cara de Leon Cakoff). Wang Quanan eh jovem (nasceu em 1965). Sua mae eh da Mongolia, na fronteira mais distante da China. A regiao estah passando por muitas mudancas, no quadro da nova China. Os pastores estao sendo estimulados a trocar suas terras pelas cidades, para participar do processo de industrializacao. Toda a regiao mongol da China vai virando um deserto, disse o diretor, que fez o filme em homenagem aa sua mae, que eh de lah. E ele acrescentou – quis registrar esse mundo, sua cultura, sua musica, seus costumes, antes que desapareca. Sua enfase eh tudo – poetica, etnografica – menos erotica. Quer dizer… Nan Yu, que jah trabalhou no filme anterior de Quanan, A Historia de Er Mei, exibido hah tres anos na Berlinale, faz a protagonista, Tuya. Na tela, eh uma mulher rude, toda coberta por todo tipo de roupas e panos. Passei pela coletiva porque queria ve-la. Achei meio parecida com Gong Li, uma Gong Li mais rude, sem a L`Oreal. Fiquei de queixo caido. Eu jah imaginava (o que mostra que o pouco erotismo de Quanan nao eh tao pouco assim) que Nan Yu fossee bela, mas ela eh deslumbrante. Protegida pelo calor da sala de coletiva, exibia um decote que mostrava tudo (ou quase tudo) o que o filme esconde. Tuyas Ehe jah eh uma das boas surpresas da Berlinale de 2007.