Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Cultura

Cultura » O Baixio das Bestas

Cultura

Luiz Carlos Merten

17 Março 2007 | 18h26

Ainda não estou me sentindo 100%, mas, para variar, andei aprontado. Saí hoje de manhã para assistir a um filme que estava mrrendo de vontade de ver – O Baixio das Bestas, de Cláudio Assis. Gostei bem mais do que de Amarelo Manga, mas há que reconhecer que os dois têm uma batida, um estilo, e que em ambos a fotografia de Walter Carvalho toca o sublime. Não gosto muito de Amarelo Manga, mas gosto muito daquele documentário final, daqueles flagrantes de pessoas anônimas do Recife cujas caras me parecem mais interessantes do que as dos personagens cujos dramas a gente acaba de ver. O Baixio parece agora a ampliação daquele fecho de Amarelo Manga. E, embora, claro, Claudio Assis não tenha nada a ver com uma diretora neozelandesa que fez sua carreira na Austrália e dali foi para Hollywood – Jane Campion -, o filme dele me lermbrou um pouco Em Carne Viva. Há nos dois a mesma vertigem do sexo, a mesma opressão da mulher, por mais diferentes que sejam os contextos sociais, mas a ponte na minha cabeça se faz por um detalhe que me apaixona. No filme do Cláudio Assis, há sempre uma ação no primeiro plano, mas também há um fundo – gente que passa, ônibus, bicicletas, caminhões. É como se outras histórias estivessem correndo, paralelamente. Isso também acontece no filme da Jane Campion com Meg Ryan e, às vezes, ela usa a história na profundidade de casmpo – que não é bem uma história, mas um movimento de ator, ou de figurante – para comentar o primeiro plano. Cláudio Assis ainda não chegou a essa articulação, mas gostei bastante. Paro de falar do filme dele porque O Baixio ainda não está em cartaz e eu não quero ficar falando sozinho. Mas fiquem de olho. E o Caio Blat é muito bom ator. Ele está ótimo em É Proibido Proibir, do Jorge Durán, que estréia antes do Baixio, em 27 de abril. Aguardem!