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Cultura » O atraente Perseu moderno

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Luiz Carlos Merten

03 Abril 2010 | 11h24

Saí ontem à tarde da redação e corri ao Shopping Lapa, o mais próximo do ‘Estado’, para ver ‘Percy Jackson e o Ladrão de Raios’. Não é nenhuma obra-prima, mas diverti-me bastante, o que me leva agora a acrtescentar este post sobre Chris Columbus. É preciso dar-lhe o crédito de formatador de séries. Tudo bem que o dedo de John Hughes transparece em ‘Esqueceram de Mim’, mas depois Columbus iniciou a série ‘Harry Potter’, como está iniciando agora a de ‘Percy Jackson’. Não gosto de seus dois primeiros filmes com o bruxinho. São muito explicativos, mas Columbuas estava apresentando os personagens e a situação geral, o que possibilitou que seus seguidores – Alfonso Cuarón, Mike Newell e David Yates – pudessem ser mais ‘cinematográficos’ depois. Mas eu adorava Columbus no começo da carreira dele, quando escreveu ‘Gremlins’, ‘Os Goonies’ e, principalmente, ‘O Enigma da Pirâmide’, que amo e, como leitor compulsivo de Sherlock Holmes, não me canso de (re)ver. Acho muito bacana a interpretação de Columbus para o início da amizade de Sherlock e Watson e o da oposição com Moriarty. Perdi, na época, não lembro por quê, o longa de estreia de Columbus, ‘Uma Noite de Aventuras’, mas quando, finalmente, vi o filme na TV dei razão aos que o definem como ‘Depois de Horas’ teen. Divertia-me com Kevin em ‘Esqueceram de Mim’, mas era John Hughes. Aborreci-me com a lentidão de… e, como já disse, não gosto de ‘Harry Potter’ 1 e 2, mas ontem entrei no clima do ‘Ladrão de Raios’ e curti o Percy Jackson. Achei válida a transposição da mitologia clássica para a atualidade, o que é uma coisa já embutida na saga do ‘Senhor dos Aneis’, e acho que os conflitos familiares, que são a essência dos roteiros e filmes dirigidos por Chris Columbus, permanecem intactos. Gostei do romace do filho de Poseidon, depois que acerta suas contas com o pai, e da filha de Atenas. Ela não é uma mulherzinha. É uma garota de seu tempo e há, entre eles, a disputa saudável que ilustra a guerra dos sexos. Acho que deve ter ajudado o trailer de ‘Fúria dos Titãs’, a que assisti pela primera vez. Estou louco para ver o filme, que estreia em maio, quase na abertura de Cannes, quando já estarei fora do País. Já  liguei ao povo da Warner para pedir que façam logo a primeira cabine de imprensa. Please!  Não sei se tem alguma coisa a ver – um remake, talvez – com o ‘Fúria de TItãs’ de 1981, dirigido por Desmond Davis, que não vale grande coisa, apesar de Laurence Olivier e Claire Bloom,  mas com certeza gostaria que o diretor, que nem sei quem é, tivesse visto ‘Os Filhões do Trovão’, a magnífica aventura de Duccio Tessari com Giuliano Gemma, sobre a qual já falamos aqui. Sei que tem gente que despreza esse tipo de cinema. Minha filha fala dos filmes ‘de guri’, de que eu gosto tanto. Mas eu confesso que a literatura e o cinema de aventuras formaram meu imaginário. Meus sentidos exigem isso. Necessito esbaldar meu Id – psicanálise básica – no escurinho do cinema. Havia gostado tanto de ‘Como Treinar Seu Dragão’ – fantasia infantil uma ova -, gostei ou, pelo menos, simpatizei com ‘Percy Jackson’. Deveria ter parado por aí, mas fui ver ‘Os Homens Que Encaravam Cabras’. Que m…! Aguardem o próximo post.