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Cultura » O Ano na corrida do Oscar

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Luiz Carlos Merten

27 Setembro 2007 | 10h00

RIO – Ainda não tive tempo de comentar com vocês a indicação de O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias para o Oscar. A repórter Roberta Penna Fortes, que cobriu, para o Estado, o encontro da comissão que escolheu o filme de Cao Hamburger, aqui no Rio – eu estava no cinema –, disse que a tal comissão apresentou uma justificativa. A disputa era entre Tropa de Elite e O Ano, mas seus integrantes chegaram à conclusão de que Cidade de Deus e Carandiru já mostraram que este tipo de filme violento, o Tropa, não tem eco na Academia de Hollywood e optaram pelo humanismo do Ano, que ainda tem um menino, judeus etc, tudo aquilo de que os votantes hollywoodianos, aparentemente, gostam. Adoro o filme do Cao, já o acompanhei em duas projeções internacionais, em Berlim e Israel, e pude ver como é bem recebido. Em Berlim, foi uma apoteose, mas na hora do bem bom, dos prêmios, o filme foi esquecido pelo júri. Também votaria no Ano, mas estou como São Tomé, pagando para ver se o Ano ganha a indicação. Tomara! Tenho minhas dúvidas. O que descobri, vendo o filme lá fora, é que aquilo de que a gente gosta, ou eu gosto nele – a falta de espetaculosidade, se é que existe a palavra, o baixo impacto –, o torna facilmente esquecível pelo público. Em Berlim, as pessoas me diziam que o filme era legal, mas não ficavam com ele. Tropa de Elite seria complicado. Os americanos batem e arrebentam, mas são politicamente corretíssimos e não iam apoiar um ‘herói’ como o Capitão Nascimento, que mata e tortura. Mas o filme tem o aval de Harvey Weinstein, que ficou p… quando Cidade de Deus não foi indicado e bancou a candidatura do filme no ano seguinte, o que fez com que Fernando Meirelles concorresse ao Oscar de direção (e César Charlone ao de fotografia e Daniel Rezende ao de montagem). Quem sabe Tropa de Elite chega ao Oscar em 2009? De qualquer maneira, ‘vamos, juntos, pra frente Brasil’. Pegando embalo no hino da seleção de 1970, vamos (eu vou) torcer pelo Ano. Já disse e repito – acho o Oscar uma m… Cada vez mais, a gente esquece rapidamente os vencedores do ano anterior, mas o Brasil precisa de uma estatueta. É uma questão de auto-estima, que talvez faça o público ter um outro olhar sobre a produção nacional.