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Luiz Carlos Merten

25 Dezembro 2006 | 20h10

Estou no aeroporto de Porto Alegre, voltando para São Paulo.Aproveito para um post rápido, que pode servir de indicação para quem quiser ir ao cinema agora à noite. Falei ontem nos filmes de Natal. Bom, existe mais um – O Amor não Tira Férias, de Nancy Meyers. É simpático, para dizer-se o mínimo. Cameron Diaz e Kate Winslet terminam relações. Quer dizer, Cameron manda o namorado andar e Kate leva o fora do dela, que anuncia que vai se casar com outra. Em crise, elas trocam de casa, uma na Inglaterra, a outra nos EUA. O que se segue é uma conversa da diretora Nancy Meyers sobre o amor, mas principalmente sobre o cinema. O artifício dramático de mostrar gente que trabalha na indústria – Cameron prepara trailers de filmes, Jack Black é compositor e o velho Eli Wallach faz um roteirista das antigas – permite à diretora dizer duas ou três coisas sobre o cinema atual, mais preocupado com efeitos do que com pessoas e que contabiliza os números da estréia como quem define se o filme vai ter vida ou não. O resultado não é nenhuma obra de arte, mas é simpático e – 1) Jude Law pela primeira vez não perde a mocinha; 2) Cameron continua linda, mas o filme é de Kate Winslet, como o filme anterior de Cameron, Em Seu Lugar, também era de Toni Collette. Cameron está terminando como estrela? Não acredito, mas é incrível esta capacidade de permanecer a ‘top’ deixando que outras brilhem em seus filmes. Kate é maravilhosa e deve ser indicada para o Oscar por Pecados Íntimos, que eu espero que também seja indicado para melhor filme e diretor.E existe a participação de Eli Wallach, o roteirista de outra época que ainda mantém o segredo das palavras. Não vou exagerar dizendo que O Amor não Tira Férias é um filme truffautiano, mas, como Truffaut, Nancy Meyers acredita no amor como choque (equilíbrio?) entre o gesto impulsivo e a palavra consciente. O que isso tem a ver com Natal? Veja – é a época em que se passa o filme. Mas não vá com muita sede ao poste. O Amor não Tira Férias é aquele filmezinho cujas qualidades você valoriza quando não espera nada. E, ah, sim, tem o Jack Black, mas aí a Nancy exagerou, fazendo dele um herói romântico.