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Cultura » O adeus à feiticeira Georgy, aliás, Lynn

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Luiz Carlos Merten

03 Maio 2010 | 17h43

Saí às 5 da manhã do Recife e consegui chegar passado das 11 horas na redação do ‘Estado’. De início, tomei – tomamos, pois Marcos Petrucelli voltou no mesmo voo que eu – um susto. Meu voo original era no fim da tarde, mas antecipei porque amanhã à tarde já sigo para Londres, para a junkett de ‘O Príncipe da Pérsia’, e dali para Paris e Cannes. Tinha 1001 assuntos para resolver aqui em São Paulo. Cherguei e tinha as matérias de amanhã, sobre o final do festival, os filmes na TV. Para c ompletar, morrey Lynn Redgrave. não sei de voc}ês, mas eu adorava a irmã de Vanessa Redgrave. Li uma entrevista dela que muito me comoveu. Lynn não era particularmente bonita, tinha problemas de obesidade (e virou porta-voz da organização  Vigilantes do Peso). Morreu em consequência do câncer na mama, que combatia há sete anos. Tinha 67 anos. Pobre Vanessa. Há um ano, pouco mais, perdeu a filha, Natasha Richardson. Há um mês morreu seu irmão, Corin Redgrave, e agora a Lynn. Na entrevista a que me referi,  Lynn Redgrave dizia mais ou menos o seguinte – Corin,. o irmão, era o inteligente da família; Vanessa era a estrela; e ela… Era a Lynn, acostumada a viver à sombra dos outros. Lembro-me delsa quisando jovem, em ‘Georgy, a Feiticeira’ (Georgy Girl), de Silvio Narizzano, que pegqava carona no free cinema, mas n]ão era realmente um filme do movimento. Narizzano veio da TV, fez depois ‘Duas Pátrias Para Um Bandido’ , com Terence Stamp, influenciado pelos spaghetti westerns de Sergio Leone. Narizzano não tinha propriamente um estilo, mas tinha um frescor que me encantava. Georgy/Lynn se rwelacionava com Jamkes Mason, mas o homem casado a queria somente como amante. Alan Bates era casar, o pobretão saído da classe operária, como muitos pérsonagens de Karel Reisz, Lindsay Anderson e Tony Richardson. O filme tinha a cenba que me encantava. Antes do casamento, Alan Bates anda sozinho por Londres, vai numa praça, como se estivesse avaliando passo que vai dar (e até pensando numa saída). Aquilo me encantou, nunca havia visto nada parecido. Lynn fez outros filmes, deu uma parada, voltou na TV, mas ainda teve belos papeis em ‘Deuses e Monstros’, de BillCondon, como a governanta que tenta resgusardar o diretor James Whale, quando o velho recluso, que havia criado obras-primas de terror, desenvolve aquela tardia paixão pelo jardineiro Brendan Fraser. Será que teve alguma coisa a ver – Lynn participou depois de episódios da série ‘Desperate Housewives’, nos EUA. Vanessa, Corin e ela eram filhos de Sir Michael Redgrave, grande ator da geração de Laurence Olivier e que foi uma verdadeira instituição, ele próprio, do teatro e cinema ingleses. Nos últimos anos, Lynn quase não trabalhou e reduziou as aparições, justamente por causa da doença. Imagino como Vanessa Redgrave estará lidando com tantas perdas. Quando me veio a notícia da morte de Lynn, confesso que ‘Georgy Girl’ ressurgiu inteiro na minha cabeça, inclusive com aquela trilha. Que descanse em paz!

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