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Cultura » Números, pró e contra

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Luiz Carlos Merten

19 Novembro 2007 | 16h45

Adorei que tanta gente tenha se manifestado sobre Dercy Gonçalves e também agradeço a informação sobre Violeta Ferraz, de quem sempre gostei, mas sem nunca ter pesquisado a história dela. Só quero aproveitar para dizer mais duas coisas. 1) Assim como me encantou a adesão de vocês a um debate sobre Dercy, sinal de que a velhinha, aos 100 anos, ainda gera polêmica, me decepcionou que ninguém tenha falado nada sobre Pierre Granier Deferre, nem o povo que adora Georges Simenon, de quem ele foi o grande adaptador no cinema. Dêem um jeito de ver ‘O Gato’ e ‘A Viúva’ e depois me digam se ele não era bom? E 2) Pedro Malasartes não tem paciência de falar sobre a economia do cinema. Deve achar que os números ‘contaminam’ a pureza de sua visão artística do cinema. Sinto muito, mas me interesso pelos números, sim, até porque são eles que me ajudam a entender o tal mercado, no qual grandes filmes brasileiros têm sido sacrificados ultimamente. Ainda não sei os números do final de semana, mas tomaria um susto, no bom sentido, se me dissessem que ‘Mutum’ e ‘A Casa de Alice’ arrebentaram nas bilheterias. O Pedro me desculpe, mas nós vamos continuar falando da economia do cinema, embora não exatamente neste sentido que ele desdenha. Nunca me pergunto quanto um filme custou. Filme caro não é sinônimo de filme ruim para mim, assim como filme barato não indica necessariamente que seja bom. As coisas não são tão simples. Em Vitória, no encontro com integrantes da oficina de crítica, me perguntaram se era condescendente com o cinema brasileiro. Afinal, é feito com tanto sacrifício e ainda é o primo pobre no mercado. Tento não ser, até porque, enfrentando as mesmas dificuldades, houve (e há) gente que fez (faz) grandes filmes. Não consigo ter dois pesos e duas medidas, mas o que me apanha, o que me toca e estimula, não depende de orçamento, não.