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Novidades da Cult

Luiz Carlos Merten

22 Junho 2014 | 23h10

Embora o filme seja de 1965, somente no ano seguinte Os Amores de Uma Loira concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Foi a primeira indicação de Milos Forman, concorrendo pela antiga Checoslováquia e, depois que os tanques soviéticos invadiram Praga, ele se exilou nos EUA, virou diretor norte-americano e ganhou duas vezes os prêmios de melhor filme e direção da Academia – por Um Estranho no Ninho, em 1975, e Amadeus, em 1984. A Loira concorreu com A Batalha de Argel, de Gillo Pontecorvo, mas era o ano de Um Homem, Uma Mulher, de Claude Lelouch, e não teve para ninguém mais. Chabadabadá, chabadabadá… Por que estou lembrando isso? Porque o novo pacote da Cult traz Os Amores de Uma Loira, que permanece uma bela (deliciosa) comédia de costumes sobre os amores da loira em questão. Ela é operária, a Checoslováquia tem muito mais mulheres que homens e a garota segue o integrante de uma banda de música até Paris, depois de uma noite de sexo com ele. Naquela época, Milos Forman era um diretor nouvelle vague e o filme tem uma liberdade de câmera, de interpretação e de tom que remete ao movimento de renovação do cinema francês por volta de 1960. Acima de tudo, o que permanece encantador é o testemunho sobre a juventude checa.; São os jovens que fariam a primavera de Praga e iriam às ruas contra os tanques. Lembro-me de haver lido, muito tempo atrás, uma entrevista de Forman dizendo que gostava de filmar os jovens porque eram, hormonalmente, libertários. Não pensavam nas carreiras, como os homens e mulheres de sua geração. Grande Forman. Viraria um cineastas ainda melhor, mas o ‘meu’ Forman, vocês sabem, é considerado o único fracasso (de público) do diretor – Na Época do Ragtime, talvez o maior ataque de Hollywood ao racismo. O pacote da Cult ainda tem As Oito Vítimas, comédia cultuada de Robert Hamer em que Alec Guinness faz oito papeis, interpretando as vítimas, homens e mulheres, do título. As Oito Vítimas merece post exclusivo – vou fazer. E ainda tem As Rainhas. Nos anos 1960, entre as aventuras mitológicas e os spaghetti westerns, o cinema industrial italiano desenvolveu a fórmula das comédias em episódios. Até os maiores – Visconti, Fellini, Antonioni -, pagaram seu tributo ao ‘gênero’.  Gianni Hecht Lucari foi um dos produtores (o produtor?) que com mais assiduidade seguiu a receita dos episódios. As Rainhas é de 1966 e tem episódios assinados por Mauro Bolognini, Luciano Salce, Antônio Pietrangeli e Mario Monicelli. Lembro-me de duas histórias – a rainha Monica Vitti (Salce) é salva de uma tentativa de estupro, mas fica tão excitada que é ela quem praticamente violenta seu salvador. E a rainha Claudia Cardinale (Monicelli) é uma cigana que move céus e terra para seduzir médico respeitável. Quando ele cede, ela o abandona e vai à caça do próximo amante. É praticamente uma Casanova de saias, que precisa da excitação da conquista para manter a libido ativa, e Monicelli fez o seu Casanova dentro do mesmo espírito, com Marcello Mastroianni, um ano antes.