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Luiz Carlos Merten

08 Novembro 2006 | 15h26

Não quero ser ofensivo com ninguém, mas temo que vou terminar sendo. Ouvi falar que Páginas da Vida é a novela mais vista de todos os tempos e fui conferir ontem à noite. Não sei qual é o método de aferição, e também não quero saber. Só acho que estamos mal, se Páginas da Vida realmente estiver sendo mais vista do que Gabriela, Roque Santeiro ou Dancing Days. Imagino que estejam levando em conta a proporcionalidade – qual era o público, o universo de televisores da época. Mesmo assim… Sinto muito dizer, mas acho as novelas do Manoel Carlos muito chatas. Vou retificar. Já escrevi tantas vezes que chato não é critério de avaliação que acho melhor dizer ‘desinteressante’. O material ‘humano’ do Manoel Carlos é feito de pequenezas que a mim não interessam nem encantam. Com um pouco de humor até ia gostar, mas essa versão da vida como ela é, a sério, não me seduz. No tal capítulo de ontem, consegui ver só uma parte, imagino que a melhor, quando a Joana Mocarzel, que faz a Clara, representou como se estivesse vendo a mãe dela. Para uma downiana, aquilo foi excepcional e eu achei legal. Mas não tenho mais muita paciência de ver a Regina Duarte, aos quantos anos? 50?, representar como se ainda fosse a namoradinha do Brasil. Ela fala num tom de voz de claustro, como quem se contém, uma coisa de boazinha que me parece forçada e o melhor da Regina foi como Porcina, quando ela soltou a voz, o corpo e apresentou uma criação que, para mim, é um marco na história da TV. Sei não, mas acho que ela devia ousar mais, não devia se prender a uma persona que a limita como artista. Não sou noveleiro contumaz. Eventualmente, vejo quatro ou cinco capítulos, quando me pedem para escrever (no Telejornal, por exemplo). O caso de Cobras & Lagartos foi diferente porque em abril fiz uma cirurgia, estava em casa, em recuperação, e comecei a ver a novela. Desde então, viajei muito e fui perdendo o pé da trama, que também não me interessou mais porque achei os vilões (Carolina Dieckman e Henri Castelli) insuportáveis. O que salvou Cobras & Lagartos foi a dupla Foguinho-Ellen, formada pelo Lázaro Ramos e pela Taís Araújo. A propósito, recomendo que leiam no Cultura de domingo, no Estado, o artigo do Moacyr Amâncio comparando Foguinho a Macunaíma. Você pode até aproveitar e ver o filme que o Joaquim Pedro de Andrade adaptou do livro do Mário de Andrade, em cartaz nos cinemas.