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Notícias da Mostra

Luiz Carlos Merten

15 Setembro 2008 | 09h26

Fui ver ontem à noite ‘Última Parada 174’, numa sessão para formadores de opinião no Unibanco do Shopping Bourbon. Falo depois do filme de Bruno Barreto. Encontrei Margarida Oliveira, que faz assessoria do ‘Última Parada’ e estava lá para recepcionar os convidados. Margô também faz assessoria da Mostra e, conversa vai conversa vem, me deu informações que hoje vocês encontram na concorrência. A Mostra traz, em outubro, uma homenagem a Bergman, exibindo seus primeiros filmes, entre eles ‘Crise’ e imagino que ‘Música na Noite’. Soma a isso a versão completa de ‘Berlim Alexanderplatz’ e outra homenagem ao diretor japonês Kinji Fukazaku, mentor de Sonny Chiba e Quentin Tarantino, que o cita/plagia/reverencia no díptico ‘Kill Bill’. Fukazaku morreu em dezembro de 2001 – ‘Kill Bill’ 1 e 2 só estrearam dois e três anos mais tarde – e certamente que não foi Tarantino quem inventou o culto ao diretor dos filmes da série sobre a Yakuza ‘Battle with Honor and Humanity’, em que o sangue esquicha como um spray. Fukazaku é idolatrado na rede, onde seus filmes são dissecados como obras de arte definitivas. Acho bacana que isso ocorra. Durante anos – décadas – a Mostra privilegiou o cinema de autor, social, político. Agora, está se voltando para o segmento cult, o que não deixa de ser uma manreira de tentar conquistar o segmento jovem. Pessoalmente, lamento que nem Leon Cakoff nem Ilda Santiago, da Mostra de São Paulo e do Festival do Rio, tenham trazido para o Brasil – não sei se tentaram – a grande retrospectiva que o Festival de Veneza dedicou ao spaghetti western no ano passado e que revelaria que Sergio Leone não foi o único grande a se exercitar nas planícies (transformadas em pradarias) de Almeria, na Espanha. Também já está decidido que a Mostra será inaugurada pelo filme ‘BirdWatchers – La Terra degli Uomini Rossi’, que Marco Bechis, filho de mãe chilena e pai italiano, rodou com índios acho que do Mato Grosso. Cada vez mais me arrependo de não ter encontrado tempo para visitar o set de filmagem. Havia gostado muito de ‘Garagem Olimpo’, longa anterior de Bechis – entre os dois, ele fez mais um, ‘Figli/Hijos’ –, a que havia assistido em Cannes, em 1999 ou 2000, por aí, num daqueles raros dias em que tinha um horário vago e entrei na primeira sala disponível para assistir justamente ao filme sobre a máquina de tortura que foi montada pelos militares na Argentina. No caso, era uma garagem mecânica que funcionava como fachada, de onde presos políticos partiam para ser lançados ao mar, algemados, de dentro de aviões militares. Poucos filmes foram tão fundo na exposição brutal do horror da repressão, mostrado sob uma aparência de normalidade cotidiana. Sei que tem gente que apóia tudo iasso sob a alegação de que eram esquerdistas e, se tivessem chegado ao poder, teriam feito a mesma coisa, ou pior. Será? De minha parte, vou sempre admirar a grandeza do dr. Sopbral Pinto, que invocou a proteção aos animais para pleitear por tratamento mais humano para presos políticos – leia-se Luiz Carlos Prestes – durante o Estado Novo. Encontrei Bechis, depois, no Festival do Rio e o achei um cara muito bacana, super gente boa. Ele me falou da próxima filmagem no Brasil – não me lembro se, naquela épovca, já tinha fechado a parceria com a Gullane Fuilmes – e até me deixou engatilhado o convite para visitar o set, mas terminei perdendo a data (por outros compromissos). Como ‘BirdWatchers’ deve abrir a Mostra, imagino que não vá passar no Rio. Estou louco para ver. Não vai demorar muito. Outubro já está chegando. Aliás, tenho um amigo poeta – gaúcho – a quem não vejo há muito tempo, Nei Duclós. Ele escreveu um livro chamado justamente ‘Outubro’. ‘Lento e bruto eu mudo/Sei que vem outubro’. Espero que minha citação de memória esteja correta.