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Luiz Carlos Merten

12 Agosto 2008 | 09h29

GRAMADO – Havia redigido meu texto para a edição de hoje do Estado de manhã bem cedo, porque queria ficar livre – ontem – para acompanhar debates, postar, ver filmes. Fui atropelado pelo clima entre a blogueira Clarah Averbuck e o diretor Murilo Salles, de ‘Nome Próprio’, que ele realizou a partir do livro dela. Clarah gosta do filme, senão não estaria aqui (conforme enfatizou), mas ela não se reconhece na personagem, que é muito mais uma viagem do diretor para entender a sensibilidade, a fragilidade (e a força) femininas. Não conheço o blog de Clarah nem o livro e, para falar a verdade, ouvi falar muito mal de ambos, mas é sempre bom a gente checar com os próprios olhos. Se tivesse saído para jantar no domingo, não teria revisto o filme nem feito descobertas que me surpreenderam favoravelmente. Leandra Leal, que faz o papel de Clarah – e já é forte candidata ao Kikito de melhor atriz -, diz que a literatura dela é referencial e que isso está no filme, com o clima do livro, que Leandra acha fielmente reproduzido. Clara retruca de que as referências do filme são as do diretor, não dela. Ela não reclama, vejam bem. Só constata. Ela tem consciência de que, ao vender os direitos, abriu mão de sua autoria, ao contrário de Mário Bortoloto, que vendeu os direitos de ‘Chevrolet’ e não gostou nem um pouco das liberdades que o roteirista Di Moretti e o diretor Reynaldo PInheiro tomaram em ‘Nossa Vida não Cabe num Opala’. Não tenho muita paciência para essas discussões, se traiu ou não. Acredito na transcriação e também em que cinema e literatura são mídias diversas. Veio para o cinema, o que me interessa é o filme como uma outra forma de arte. O livro, a peça, o seja-lá-o-que for vai continuar existindo no formato original. Enfim, num clima que não chegou a ser de bate/boca, a Clarah e o Murilo se desentenderam e eu tive de reescrever minha matéria, quase em cima do fechamento da edição. A partir daí foi só correria. Almocei, fui ver o filme marroquino – depois falo sobre ele -, houve um encontro com Walmor Chagas, que recebe hoje o prêmio Oscarito, voltei ao hotel, fui para o cinema e daí, meus amigos, foram dois longas, um argentino, ‘Por Sus Proprios Ojos’, de Liliana Paolinelli, e o brasileiro ‘Vingança’, de Paulo Pons. Saímos do cinema lá pelas 23h30, fomos jantar, hotel de novo e já era de madrugada. E assim corre a vida nos festivais, Vamos agora aos filmes, um por um. E um lembrete. Já viram ‘Nome Próprio’? Agora que gostei do filme do Murilo – a personagem e ‘Nome Próprio’ me pareceram irritantes, só finalmente captei as sutilezas da construção (e a importância do retorno do diretor ao espaço fechado do apartamento, como em sua obra-prima, ‘Nunca Fomos tão Felizes’) -, me preocupa saber que o filme fez míseros 21 mil espectadores. Murilo até anda comemorando o número como vitória, porque diz que achava que ficaria em 5 mil, mas é pouco como repercussão de uma proposta estética (neste universo da internet e dos blogs, ainda por cima). Vejam. É bem interessante. E comentem, mesmo que não gostem.

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