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Luiz Carlos Merten

19 Maio 2007 | 09h38

CANNES – Desde ontem o mundo divide-se entre os que amam ou não amam tanto assim os irmãos Coen. Eles estão aqui mostrando seu novco filme, No Country for Old Men. Está para nascer quem me convença, como Rodrigo Fonseca tentou, que não é Fargo 2. Aliás, Fargo – há quantos anos? – foi o último filme realmente bom de Joel e Ethan. Claro que eles fazem filmes superiores à média do cinemão. No Country for Old Men trata da fuga de um sujeito que descobre uma fortuna do nacrotráfico e do psicopata que é contratado para matá-lo. Javier Bardem faz o psico, tão conscientemente monstruoso que não me impressionou muito. Em compensação, gostei demais do velho – e desencantado – xerife interpretado por Tommy Lee Jones. É ele quem faz a diferença no filme. O xerife está tão enojado da violência do mundo que só pensa em se aposentar. Vocês vão ver que ele é parecido, em vários aspectos, com a Frances McDormand grávida de Fargo. Todos os personagens ao redor são, em maior ou menor grau, imbecis. Os EUA são um país em crise de valores, nos dizem, Michael Moore (em Sicko) e os irmãos Coen (neste filme). A crise, para dizer a verdade, é universal. O romeno Quatro Meses, Três Semanas e Dois Dias é, até agora, meu favorito para a Palma.