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No balanço do Oscar

Luiz Carlos Merten

25 Fevereiro 2008 | 09h41

Vou rever os Coens, para ver se melhora um pouco. Não sou muito fã de ‘Onde os Fracos não Têm Vez’. Acho o filme supervalorizado, de ‘crítico’, o que não significa exatamente que ache uma m… Mas não posso deixar de achar curioso este negócio de prêmio, qualquer que seja. O filme dos Coens concorreu em Cannes no ano passado e não ganhou nem um muito obrigado do júri. Até ‘Cahiers du Cinéma’, que colocou o filme no céu, no lançamento em Paris, preferia ‘Zodíaco’, do David Fincher, e ‘O Boulevard da Morte’, já que, sorry, não consigo nem me lembrar do título no Brasil daquele filme de m… do Tarantino (mas que tem gente que gosta tanto quanto o dos Coens). Daniel Day-Lewis concorreu este ano em Berlim com ‘Sangue Negro’ e o júri presidido por Costa-Gavras preferiu dar o prêmio de interpretação ao ator iraniano Reza Qualquer-coisa, do filme ‘The Song of Sparrows’, de Majid Majidi. Uma coisa que achei digna de análise no Oscar deste ano foi a pouca concentração de prêmios. ‘Onde os Fracos não Têm Vez’, recordista do ano, ficou com quatro estatuetas – filme, direção, ator coadjuvante (Javier Bardem) e roteiro adaprtado (por Joel e Ethan do romance de Cormac McCarthy que, por sinal, foi lançado no Brasil com outro título, ‘Onde os Velhos não Têm Vez’). O segundo colocado, com três estatuetas, prêmios predominantemente técnicos – mas um deles era o de montagem -, foi ‘O Ultimato Bourne’, terceira aventura da série com Matt Damon, do Paul Greengrass. De resto, os prêmios ficaram pulverizados. Dois para ‘Piaf – Hino ao Amor’ (melhor atriz, Marion Cotillard, e melhor maquiagem), dois para ‘Sangue Negro’ (melhor ator, Daniel Day-Lewis, e melhor fotografia), um para ‘Conduta de Risco’, do Tony Gilroy (melhor atriz coadjuvante, Tilda Swinton) e um, de consolação, para ‘Desejo e Reparação’, que Joe Wright adaptou do Ian McEwan, ‘edulcorando’ (quá-quá-quá) o romance – mas um prêmio totalmente merecido, o de melhor partitura, para Dario Marianelli. O que isto prova? Que não havia um favorito nem um filme no qual os votantes se sentissem tentados a concentrar seus prêmios. O Oscar de 2008, para os melhores de 2007, foi fraco? Sei lá. Como todo ano, filmes importantes ficaram de fora. Naqueles cinco finalistas, eu não teria a menor dúvida, nem por um segundo, em votar no classicismo e romantismo (cruel) de ‘Desejo e Reparação’, só vacilando se ‘Sweeny Todd’, o melhor Tim Burton desde ‘Ed Wood’, e Senhores do Crime’, o melhor Cronenberg ever – melhor, para mim, do que ‘Gêmeos – Mórbida Semelhança’ -, tivessem sido indicados.