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Luiz Carlos Merten

22 Agosto 2010 | 13h13

Fui ver Shyamalan na sexta à tarde. Zanin, que fez a crítica no ‘Caderno 2’, disse que é infantil. Há dois dias que não faço outra coisa senão pensar em ‘O Último Mestre do Ar’. Gostei, mas já estou triste por antecipação. Não li nenhuma entrevista, mas com certeza ‘Night’ não encarava esse projeto como sendo um filme só. ‘O Último Mestre’ é primeiro de uma série. Com o fracasso de público – e crítica – haverá um 2, um 3? Ainda estou ‘decantando’ as informações, como se diz, e embora o filme treaga embutida uma reflexão sobre a disputa pelo poder confesso que não foi o que mais interessou.  Achei as relações familiares todas muito mais complexas do que pode esperar de um filme ‘infantil’. Os irmãos são órfãos – e não completaram seu aprendizado, ou formação -; o avatar reage à ideia do sacrifício, à privação da família, e a garota dá a vida pelo equilíbrio do mundo; finalmente, o príncipe banido é objeto de escárnio do pai. Queria mais, muito mais, de ligação do príncipe com o avatar, mas no conceito de Shyamalan deve ser para os demais episódios. Justamente a ligação do príncipe com o pai me interessou mais do que qualquer outra coisa porque ligou o filme, no meu imaginário, a outras duas produções que estrearam sexta-feira, o nacional ‘Antes Que o Mundo Acabe’, de Ana Luiza Azevedo, do qual gosto não apenas por ser filme gaúcho – acreditam que aindfa tem gente que me pergunta isso? -, e o deslumbrante ‘Um Doce Olhar’, de Semih Kaplanoglu. Assim como não sabia nada do ‘Avatar’ de Shyamalan, fui atropelado pela inesperada, para mim, estreia do filme turco vencedor do Urso de Ouro, em fevereiro. Em geral, os distribuidores esperam pelas vitrines do Festival do Rio e da Mostra de São Paulo para lançar esses filmes. Se soubesse que ia entrar já estaria ‘catequisando’ vocês. Como pai, sou muito sensível à relação entre pais e filhos e a de ‘Mel’ (título original) é das mais belas. O menino tem essa dificuldade para se expressar pela fala. O pai tem um carinho muito grande por ela e, quando o pai desaparece, o menino parte em busca dele, entrando na floresta misteriosa (e onírica). ‘Mel’ fecha uma trilogia que começou com ‘Ovo’ e prosseguiu com ‘Leite’. O proptagonista é o mesmo, Yusuf – ou não -, e vai retrocedendo de adulto para a condiução de criança, o que faz com que os três filmes possam ser o sonho de uma criança que antecipa seu futuro, ou o de um adulto que retrocede às origens. Ainda não revi ‘Mel/Um Doce Olhar’. Amei o filme, quando o vi em Berlim, e não me surpreendi nem um pouco quando ganhou o Urso. Estou louco para rever. Com todas as diferenças entre eles, o filme turco e ‘A Origem’ são os melhores que vi, até agora, em 2010. Sobre o grande filme de Christopher Nolan, ainda não tripudiei. Diz que ‘aquele’ jornal deu uma capa explicando ‘A Origem’. Explicando para quem, cara-pálida? Só se tiver sido para seus críticos, e aí a publicação poderia ser interna. Para o mundo, o filme já estava explicado, sorry.