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Negro amor de rendas brancas

Luiz Carlos Merten

21 Março 2008 | 08h13

Já contei aqui que tenho um carinho especial por Joaquim Pedro de Andrade, mas não pelo Joaquim modernista, tropicalista. Gosto da vertente mineira do autor, de filmes como ‘O Padre e a Moça’ e ‘Os Inconfidentes’, embora esteja consciente de que a visão de Joaquim da Inconfidência não deixa de ser a história de um brasileiro (Tiradentes) devorado pelo Brasil e, como tal, existe algo ali de antropofágico, portanto, de modernista Fiquei nas nuvens com o DVD de ‘O Padre e a Moça’. Acho o filme lindo – fotografia de Mário Carneiro, música de Carlos Lyra -, São Gonçalo do Rio das Pedras oferece um cenário impressionante na sua desolação, mas o que me amarro é na dupla Paulo José/Helena Ignez, que torna aquele negro amor de rendas brancas (como no poema de Drummond) uma experiência tão palpável. O filme é opressivo, fechado e aí tem as cenas em que Paulo José tenta febrilmente abrir aqueles janelões – para libertar-se? -, desvencilhando-se da batina que vira o uniforme de sua prisão (interna e externa). Ainda não tive tempo de conferir o filme, na versão restaurada, mas o DVD é tão chique que traz, como bônus, três curtas do diretor – ‘O Poeta de Apicucos’, ‘O Mestre do Castelo’ e ‘Couro de Gato’ -, somados a diversos extras. O making of da restauração digital, ‘O Mundo de Um Filme’ – documentário de 50 minutos -, um encarte com o poema de Carlos Drummond de Andrade. Um luxo! Mas é como eu digo sempre – bem-vindos os extras, mas me dêem o filme, que é o que eu quero.

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