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Luiz Carlos Merten

25 Outubro 2006 | 13h49

Falei no livro que li no avião, na ida para Londres (Boca do Lixo, Cinema e Classes Populares, de Nuno César Abreu) e falo agora no que comprei no aeroporto e comecei a ler na volta. Natalie Wood, a biografia da atriz, por Gavin Lambert. Ainda não terminei, mas é maravilhoso. Natalie, de atriz mirim a mulher, foi uma das minhas primeiras fixações no escurinho do cinema. Ela faz parte de emoções que são, para mim, inesquecíveis – Rastros de Ódio, Clamor do Sexo, Amnor Sublime Amor. Adoro a feminista de A Corrida do Século e a psicanalista psicanalisada de Médica, Bonita e Solteira. Natalie era de ascendência russa. O pai e a mãe chegaram aos EUA fugindo da revolução. Lambert abre o livro com uma citação de Stella Adler, segundo a qual os russos chegam a ser exageradamente sensíveis, enquanto os americanos têm dificuldade de exteriorizar emoções porque, culturalmente, se sentem muito vulneráveis. Natalie, embora nascida Natalia, nos EUA, era russa ou assim gostava de se definir. A primeira parte do livro narra a história da mãe dela, fugindo da Rússia pós-revolucionária, através da China. A mãe era rica, dizia que sua família tinha conexão com os Romanovs. O pai era um pobretão que não podia ver rabo de saia. A mãe também não controlava a libido. Viveram triângulos, às vezes debaixo do mesmo teto, tanto ele como ela. Natalie também tinha uma sexualidade exagerada (ou será que era só normal, exagerada para Hollywood?), à flor da pele. Ela morreu em circunstâncias um tanto suspeitas (estaria bêbada e caiu do barco, morrendo afogada) em novembro de 1981, aos 43 anos. Não era uma vamp, não era uma pin up, não era um produto da máquina dos estúdios. Natalie era uma mulher. Tinha alma. Lendo o livro, que ainda não acabei, cheguei à conclusão que as personagens que melhor a expressaram foram a Wilma Dean de Clamor do Sexo, do Kazan, e a Alvah Starr que Pollack adaptou de Tennesse Williams, em Esta Mulher É Proibida.