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Luiz Carlos Merten

05 Março 2009 | 19h01

Tanta gente se manifestou no caso do cinema que Daniel reconstriu em sua cidade, Brotas – inclusive lembrando o exemplo de Vampeta, que havia feito o mesmo com o cinema de sua cidade, no interior da Bahia -, que eu não resisto e convido a todos para lerem amanhã, no ‘Caderno 2’, o belo texto de Jotabê Medeiros. O Jota foi o enviado do jornal a Brotas, justamente para a sessão de reinauguração da sala São José, ontem à noite. Ele trouxe uma matéria que vocês vão adorar ler e fornece informações que valorizam ainda mais o esforço do Daniel. Ele pagou do próprio bolso – alguns milhões -, sem lei de incentivo. É tanta generosidade, do Daniel e do próprio diretor Jeremias Moreira Filho, que atualizou seu filme antigo – é dele o primeiro ‘Menino da Porteira’, de 1977 -, para falar da questão agrária no País, sobre o embate entre pequenos proprietários e latifundiários, que eu até gostaria de ter gostado mais (ou de ter gostado, simplesmente, insisto), do filme. Já disse que há uma diferença grande entre ‘O Menino’ e ‘2 Filhos de Francisco’. O filme ‘do Daniel’ tem a cara do universo sertanejo, dialoga com o western e, no limite, tem compromisso com a beleza visual. O de Zezé di Camargo e Luciano, ou mais exatamente de Breno Silveira, é uma investigação desglamourizada sobre o sonho brasileiro, e nesse sentido é muito maior e melhor. Creio, de qualquer maneira, que temos aí, com o ‘Menino’, uma nova possibilidade de êxito de público do cinema brasileiro, num ano que já começou bem com o mega-sucesso de ‘Se Eu Fosse Você 2’, o atual (desde o começo da semana) campeão da Retomada.