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Luiz Carlos Merten

13 Fevereiro 2010 | 15h48

BERLIM – Havia gente pelo ladrao na coletiva de A Ilha do Medo. A sessao do palast, o palácio do festival, lotou e os jornalistas correram – eu, inclusive – à sala da coletiva, mas quando chegamos ela já estava lotada. Aquela gente toda já havia visto o filme? Como conseguiram entrar antes? Tive, e a metade da torcida do Coríntians comigo, de assistir pelo telao, mas confesso quie nao me importei muito porque vou entrevistar Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio. Shutter Islasnmd baseia-se num livro de Dennis Lehane, o autor de Sobre Meninos e Lobos, que foi editado no Brasil como O Paciente 67 – acho, pelo menos foi o que voces disseram quando fiz a primeira referencia ao filme no blog, comentando o trailer. Na época, fui acusado de entregar o final, mas, como nao havia lido o livro, fiz meu comentário a partir do que o trailer já deixava subentendido. A partir de determinado momento, fica claríssimo do que se trata e qual vai ser o desfecho, mas Scorsese nao quer deixar nada em aberto. Sao filmes totalmente diversos, concordo, mas enquanto o romeno Florin Serban quer deixar tudo aberto, o diretor norte-americano nao quer deixar nenhum fio solto e vai esclarecendo tudo. sao mais de duas horas de narracao e eu confesso que achei um porre – um filme de mecanismo morto -, mas admito que teria achado pior, se DiCaprio e Mark Ruffalo nao fossem tao bons. DiCaprio tem alguns momentos de angústia genuína e o único aspecto que me pareceu, digamos, novo, é a forma como o diretor trabalha – e subverte – o filme sobre a dupla de amigos (nao deixa de ser um buddy movie). A coletiva foi uma rasgacao de cena danada entre o diretor e o astro, e entre jornalistas de todo o mundo e a dupla, como se tivéssemos acabado de assistir ao nascimento de um clássico do cinema. É um tal de Marty, para lá e para cá, de Leo, que vou contar para voces… Meu tempo está se esgotando e eu prometo voltar à Ilha do Medo, mas, como voces sabem que Scorsese é cinéfilo, nao resisto a postar que ele revelou suas fontes de influencia neste filme. A principal referencia foi Mark Robson, um diretor que comeou no terror, com o produtor Val Lewton, fez filmes sociais com outro produtor, Stanley Kramer, e terminou assinando pesados dramas na Fox (Anastácia, A Caldeira do Diabo, O Vale das Bonecas). Nada como o tempo. Está aí o Scorsese recuperando o artesao Mark Robson. Espero nao tripudiar, mas nao duvido que uma eventual reprise dos filmes antigos – de terror – de Robson terminasse dando de dez no filme novo. Mas quero rever A ILha do Medo. Assim como quando se assiste pela segunda vez a O Sexto Sentido, fica tudo claro sobre o desfecho daquele Shyamalan – pela maneira como ele filmou -, quero ver se Scorsese também fornece todas as pistas. Para isso, será melhor esperar o DVD, tirando o som, a música pelo menos. Scorsese poe tanta trilha para criar clima que deixa a gente atordoado. Eu, que sou sugestionável – dou pulos na poltrona em qualquer filme de sustos -, fiquei impassível. Arre!