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Não!

Luiz Carlos Merten

18 Outubro 2016 | 01h13

Tenho meus problemas com Wagner Moura. Quero dizer, como Beto Brant, ele tem comigo. Isso não me impede de admirar, eventualmente, o que ambos fazem de bom. Amei Pitanga, o documentário de Beto e Camila Pitanga, sobre o pai dela, o ator Antônio Pitanga. Renata de Almeida pretende usar o documentário e a ficção Birth of a Nation, de Nathan Parker, baseada em As Confissões de Nat Turner, para promover um amplo debate sobre racismo (e inclusão/exclusão social) na Mostra. Há 50 anos, pouco menos, Norman Jewison, que nem era um grande cineasta, já tentara adaptar o romance de William Styron, mas fora dissuadido numa Hollywood alarmada com a violência das barricadas construídas para sustentar a luta por direitos civis dos negros. E olhem que Jewison já ganhara o Oscar por No Calor da Noite (melhor filme), sobre racismo, e voltara ao tema com A História de Um Soldado. O que Wagner Moura tem a ver com isso? Tudo, nada? No Rio, fiz a mediação do debate de Curumin, documentário de Marcos Prado sobre o brasileiro condenado à morte e fuzilado na Indonésia. No encerramento, Marcos me disse que José Padilha e ele trabalham no projeto de um longa baseado na Lava-Jato. Acrescentou que estão pesquisando loucamente para filmar no ano que vem. Mesmo sem ter sido solicitado, quero dar minha contribuição. Leiam (Padilha e Prado), leiam vocês também A Outra História da Lava-Jato, de Paulo Moreira Leite, que também já contou a outra (a verdadeira?) história do Mensalão. O foco de Moreira Leite sobre a Lava-Jato está resumido na capa, no subtítulo – Uma investigação necessária que se transformou numa operação contra a democracia. Tem havido muita mitificação, e mistificação, sobre o juiz Sérgio Moro, o herói que a direita chama de seu. Em aeroportos, surpreendo-me com a quantidade de livros sobre ele. São tão laudatórios que carecem de perspectiva crítica. Insisto – só como curiosidade, leiam o livro bem escrito e argumentado de Moreira Leite. Poderá ser uma surpresa, mas você terá de sair do cabresto para se dar conta de como é fácil manipular a opinião pública. E chegamos ao Wagner. Padilha, para quem ele foi o Capitão Nascimento (em Tropa de Elite 1 e 2) e Pablo Escobar, queria que Wagner fosse o seu Moro. Dib Carneiro me informou que hoje, nas redes sociais, o assunto era Wagner Mora dizendo não à proposta. Aleluia! Posso até esperar que Padilha e Prado não caiam no oba-oba comprometido da má literatura (e do mau jornalismo investigativo) que tem dado a tônica da maioria das publicações sobre o assunto. Mas já me alegra que o Wagner esteja fora. Existe aí um partido tomado, e que respeito muitíssimo.