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Luiz Carlos Merten

21 Fevereiro 2012 | 17h42

Nem havia voltado ao assunto Nanni Moretti, que abordei na matéria de domingo do ‘Caderno 2’, dando conta da vitória de ‘Cesare Deve Morire’, no Festival de Berlim. Moretti estava na plateia do Palast, com os Irmãos Taviani. Acompanhou-os quando Paolo e Vittorio, que haviam regressado0 a Roma, voltaram depressa para a Alemanha. Na sequência, ele foi com Paolo e Vittorio à coletiva dos vencedores. Ficou discreto, num canto, sem abrir a boca. Vários jornalistas tentaram se aproximar, mas ele fazia o gesto para que se mantivessem afastados, apontando para os Taviani, como quem diz ‘A festa é deles’. A vespa de Moretti, simbolo de suas empresa produtora e distribuidora, antecede ‘Cesare Deve Morire’. Ele será o distribuidor do filme na Itália. Deve mostrá-lo em seu cinema do Trastevere, a que fui, certa vez, para ver o documentário de Anna Maria Tato sobre Marcello Mastroianni. Além de distribuidor do filme, Moretti é amigo de Paolo/Vittorio. Eles contaram que o jovem Nanni, querendo ser diretor, pediu para lhes mostrar seu primeiro filme. Mais tarde, ofereceu-se para ser assistente em ‘Pai Patrão’, mas os Taviani disseram não – e lhe disseram que o cargo era para um aspirante a cineasta, e ele já era um diretor, havia provado isso. Desde então, mantiveram-se em contato. Confesso que me emocionei muito com as lágrimas de Nanni Moretti, quando a câmera no interior do Palast captou sua reação ao discurso de agradecimento dos irmãos. É um grande cara. Lamentei, sinceramente, não haver gostado de ‘Habemus Papam’.